Juros da dívida nacional voltam a tocar máximos

A yield sobre obrigações portuguesas esteve em máximos de 2017. Nos EUA, os juros sobre Obrigações a 30 anos tocaram máximos de 22 anos, com receios sobre a inflação a pressionar
Juros da dívida nacional voltam a tocar máximos
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A yield sobre as Obrigações do Tesouro nacional a 10 anos chegaram a tocar no 3,98% durante esta quinta-feira, o valor mais alto desde janeiro de 2017. A pressionar esta subida da taxa de juro, pedida pelos investidores para comprarem dívida nacional, tem estado o aumento do preço da energia, bem como a inflação, que se espera que continue a subir.

O preço do barril do petróleo chegou a negociar acima dos 107 dólares, e fazendo crescer o receio de que a tendência de subida se mantenha em todo o mundo. No mesmo sentido, a fraca procura que aconteceu durante um leilão de dívida norte-americana fez soar os alarmes junto dos investidores. Os juros das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram para 5,145%, o valor mais alto desde a crise financeira de 2008, enquanto a yield para as obrigações a 30 anos tocaram máximos de 2004. Foi neste cenário que Donald Trump recebeu o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington, durante o dia de ontem.

A pressão sobre as obrigações de longo prazo aumentou, à medida que o crescimento económico, o aumento dos preços da energia, bem como a inflação e o aumento do endividamento governamental levam os investidores a exigir mais compensações por terem bloqueado dinheiro durante décadas. A contínua subida do rendimento a 30 anos prejudica os esforços do Departamento do Tesouro para reduzir os custos de empréstimo a longo prazo.

Não é, por isso, de estranhar, que na Europa esses receios se façam sentir quando os investidores são chamados a comprar dívida nacional - os mercados estão, por todo o mundo, mais nervosos do que o desejável, com o facto de o contexto geopolítico não dar sinais de conseguir libertar as tensões que se agravam desde o início do ano. Ainda assim, a Oxford Economics, consultora britânica que libertou ontem uma nota de análise, defendia que esta subida de juros deverá ser, em grande parte, passageira, por resultar de uma revisão das expectativas sobre a política dos bancos centrais face à escalada dos preços da energia. “Vemos o pico das taxas de juro como maioritariamente temporário, refletindo largamente uma reavaliação de preços das respostas de política monetária à subida dos preços da energia”, dizem os economistas Ricardo Amaro e Daniel Kral, que assinaram o relatório.

Portugal realizou, a 8 de julho, um leilão de dívida a 10 anos, onde o Estado nacional conseguiu colocar 703 milhões de euros junto dos investidores, a uma taxa de 3,439%. Se o próximo leilão levado a cabo pelo IGCP, a agência que gere a dívida pública portuguesa, fosse feito à taxa atual de 3,97%, o custo seria significativamente mais elevado para o Estado. No entanto, pode ser cedo para alarmes no Ministério das Finanças: é que dos 24 mil milhões de euros que o Estado prevê emitir em divida publica, este ano, 77% já foram colocados, o que significa que falta emitir cerca de 5,6 mil milhões. Assim, o Estado poderá tentar encontrar a altura mais favorável para testar o mercado, numa altura em que a incerteza continuará, certamente, a marcar as próximas semanas.

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