

Os mercados continuam a reagir, diariamente, aos avanços e recuos das negociações entre EUA e Irão, numa altura em que as preocupações sobre o preço da energia aumentam significativamente um pouco por todo o mundo.
O preço do barril de ‘brent’ negociava abaixo dos 100 dólares (97,25 dólares), depois de ter voltado a tocar os 100 dólares durante a sessão desta segunda-feira, num sinal claro de que os investidores continuam sem saber exatamente como reagir à manutenção do conflito no Médio Oriente. Ainda assim, as notícias de que a Arábia Saudita está pronta para voltar a exportar ‘ouro negro’, através do oleoduto Leste-Oeste, a infraestrutura estratégica que permite ao país transportar crude até ao Mar Vermelho sem passar pelo Estreito de Ormuz, podem trazer alguma tranquilidade, ainda que passageira, aos mercados.
Cornelia Meyer, CEO da Meyer Resources, salientou que os participantes no mercado energético estão a prever o “risco claro e iminente” de um reinício das hostilidades entre os EUA e o Irão após as eleições intercalares. Citada pela imprensa internacional, a especialista notou ainda que acredita que “todos esperam que as coisas não venham a correr assim, porque estamos atualmente a reduzir as reservas de petróleo, com muitos países a dependerem dessas reservas para manter o abastecimento”.
A refletir os receios do impacto que isto terá nas economias, os juros sobre as dívidas soberanas continuam a aumentar um pouco por todo o mundo. Em Portugal, as Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos, referência para custos de financiamento cobrados a empresas financeiras e não financeiras no país, voltou a negociar acima dos 4%, máximos de 2014. Note-se que quando os juros da dívida portuguesa sobem, o Estado irá pagar mais para se financiar no mercado.
Também os juros sobre as OT a 5 anos avançaram para 3,609%, máximos de março de 2014. Ainda assim, os juros sobre a dívida portuguesa mantêm-se muito longe dos picos de mais de 16% (OT 10 anos) e de 20% (OT 5 anos) que atingiram em 2012, no pico da crise da dívida soberana, e antes de Portugal ser intervencionado pela troika.
Na verdade, os juros sobre dívida nacional acompanham a tendência mundial de subida: a taxa de rendibilidade das bunds alemães a 10 anos, referência para a Zona Euro, subiu para 3,622%, máximos de 2009.
No mesmo sentido, as Treasuries americanas a 10 anos negociavam ons 2,25%, máximos de junho de 2007.
A subida das taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA e em vários outros países europeus – como França, Itália e Reino Unido, que têm visto também o juro sobre as suas obrigações a subir – estão, por seu lado, a diminuir o apetite dos investidores por ativos que não geram rendimento, como o ouro e a prata. O preço do metal amarelo afundou mais de 3% na sessão de ontem, enquanto o da prata escorregou 4,8% e o da platina 2,4%.
Mercado acionista misto
Quanto ao mercado acionista, o sentimento que esta segunda-feira marcou a sessão foi misto: Lisboa encerrou acima da linha de água, a subir uns ligeiros 0,08%, num dia em que os mercados europeus fecharam sem tendência definida, com os principais índices a fechar com perdas ou ganhos ligeiros.
“Os principais índices de ações europeus encerraram divididos entre as perdas ligeiras do espanhol IBEX e os ganhos igualmente leves do português PSI. Ainda assim denotou-se alguma resiliência à subida dos preços do petróleo, ao contrário do que se vai vivenciando em Wall Street, onde o Nasdaq 100 corrige mais de 1%, após os máximos de sempre atingidos na semana passada”, destacaram os analistas do Millennium Investmente Banking, antes do fecho da sessão dos mercados americanos.