Líder portuguesa da certificação dá força à reciclagem de plásticos

A Certif está apta a apoiar as empresas portuguesas na reutilização de polímeros e contribuir para uma economia mais sustentável. Aposta arranca no próximo mês.
A Comissão Europeia estabeleceu o objetivo da reutilização anual de 10 milhões de toneladas de polímeros reciclados entre 2025 e 2030.
A Comissão Europeia estabeleceu o objetivo da reutilização anual de 10 milhões de toneladas de polímeros reciclados entre 2025 e 2030.Jonathan Nackstrand/AFP
Publicado a

A Certif, líder nacional na certificação de produtos, prepara-se para estender a sua ação à reciclagem de plásticos já a partir de setembro. A associação irá validar a percentagem de plástico reciclado que é incorporado em novos materiais ou, em termos mais técnicos, a validação do teor de reciclado. Como revela Francisco Barroca, diretor-geral da Certif, “o que faremos é auditar e confirmar os cálculos do fabricante e avaliar como controlam a receção e o tratamento do plástico a incorporar”.

Esta aposta é uma resposta da Certif ao interesse manifestado pelas empresas portuguesas em obter certificados de nível europeu que validem a percentagem de plástico reciclado. Segundo Francisco Barroca, esta nova certificação “tem um grande impacto em Espanha, porque há benefícios fiscais em termos de redução das taxas aplicáveis”. Para isso, a empresa obteve qualificação pela Polycert Europa para o reconhecimento das suas certificações relativas ao teor do reciclado. A Polycert é um organismo que valida certificações e garante a sua validade no espaço europeu. “Os certificados da Certif ostentarão igualmente o logo da Polycert e serão mais facilmente reconhecidos nos mercados de destino”, frisa.

Num trabalho conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e com a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, a Certif estabeleceu os critérios (a especificação técnica) para avaliar a integração de plástico reciclado em produtos a disponibilizar ao mercado. Como reforça o responsável, a certificação da valorização do plástico está “pronta para entrar no terreno com garantia de uma entidade independente”. Com esta nova atividade, a organização vai apoiar as empresas no uso de materiais circulares. Recorde-se que a Comissão Europeia estabeleceu o objetivo da reutilização anual de 10 milhões de toneladas de polímeros reciclados entre 2025 e 2030.

Neste campo da economia circular, a associação portuguesa para a certificação foi também reconhecida recentemente com o OCS - European Certification Scheme, que visa o controlo do desperdício de pellets de plástico perdidos para o ambiente. O programa internacional OCS - Operation Clean Sweep tem como objetivo a contenção e o controlo que previnam a perda de pellets manuseados na produção, armazenamento, transporte e utilização, evitando que estes cheguem aos ambientes terrestre e aquático e garantindo a sua utilização enquanto recurso. A meta é a perda zero para o ambiente. E está já apta a avaliar o sistema implementado pelo fabricante, de forma a impedir o envio deste material para a natureza.

A crescer em Angola

A atividade da certificação da associação portuguesa não está limitada ao território nacional, tem clientes em mais de 20 países e este ano já ganhou novos serviços em Angola e no Chipre. Segundo Francisco Barroca, neste país do Mediterrâneo é atualmente “o maior organismo notificado”, ou seja, reconhecido para avaliar a conformidade de produtos da construção antes da sua entrada no mercado e conceder a marcação CE. Já em Angola, ganhou este ano mais dois clientes, também da área da construção.

Aliás, é na certificação de produtos que a Certif tem o seu core business e a liderança nacional. Está habilitada a avaliar mais de 200 produtos do setor da construção, onde se destaca a norma CE, o que lhe garante quase 80% da sua faturação global, e 70 produtos da área elétrica. Como realça Francisco Barroca, “é aqui que está a nossa força e o que nos distingue do mercado”. A organização certifica ainda sistemas de gestão.

A associação sem fins lucrativos, constituída por 27 associados, entre associações empresariais e laboratórios, deverá encerrar o ano com um crescimento da ordem dos 5% na faturação, somando perto de 2,5 milhões de euros. Os clientes internacionais deverão pesar 35% nas vendas. Estes dados permitem concluir a relevância que as empresas dão à certificação dos seus produtos e serviços, nomeadamente para incrementar as exportações.

Francisco Barroca reconhece que a certificação é um passaporte para o exterior, embora muitas das vezes invisível e inquantificável. Mas, exemplifica, a Certif já validou aço de uma empresa da Tailândia, requisito exigido para exportar para Angola. “Pedem certificação portuguesa”, frisa. E o mesmo sucede com fabricantes em Angola que querem vender para outros países de África. As empresas do setor elétrico português são também muito ativas na procura de certificados europeus e internacionais.

Diário de Notícias
www.dn.pt