A falta de solução para o aeroporto de Lisboa vai afastar mais de 400 mil passageiros do país na época alta de 2020. As contas são do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em resposta às dúvidas lançadas pelos deputados do Bloco de Esquerda e do PCP relativas à construção no aeroporto do Montijo na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. O governante considera ainda que a TAP não fez um bom trabalho de planeamento da operação para a época alta.
"Não podemos inventar capacidade aeroportuária que não existe em Portugal. Faltam-nos 3000 slots. Há mais de 400 mil passageiros que não virão a Portugal entre abril e setembro por falta de capacidade aeroportuária. Andamos há décadas a brincar aos aeroportos", lamentou o ministro durante a audição parlamentar que está a decorrer esta quarta-feira.
Entre as 3000 slots em falta, metade são da TAP. A companhia aérea portuguesa deverá anunciar, no início de março, o cancelamento de 1.500 voos agendados para o período de verão, noticiou na terça-feira o jornal digital Eco.
O ministro culpa a transportadora aérea pelo cancelamento de voos. "Se a TAP tem de cancelar voos, é porque eles fizeram um mau trabalho. É porque quando definiram mais capacidade do que a empresa realmente tem", respondeu o governante.
O Governo recebeu em janeiro uma declaração de impacto ambiental favorável emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente para a concretização da construção do novo aeroporto do Montijo. Porém, a declaração favorável está condicionada ao cumprimento de 160 medidas de mitigação, às quais a ANA – Aeroportos de Portugal terá de dar cumprimento – medidas que ascendem a cerca de 48 milhões de euros.