O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na quarta-feira no Brasil que o acordo comercial que está a ser negociado entre a União Europeia e o bloco sul-americano Mercosul é um "acordo muito mau" e apelou à construção de "um novo".."Prefiro bater o pé", afirmou num fórum económico em São Paulo (sudeste do Brasil), acrescentando: "tal como é negociado hoje é um acordo muito mau, para vocês e para nós".."Não há nada neste acordo que tenha em conta a questão da biodiversidade e do clima. Não há nada. É por isso que digo que não é bom", afirmou perante uma plateia de empresários brasileiros, no segundo de três dias da visita de Estado de Emmanuel Macron ao Brasil e que faz parte de uma ambição internacional que os dois chefes de Estado pretendem promover até à COP30, que vai acontecer na cidade brasileira de Belém em 2025..O Presidente francês apelou à conclusão de um outro acordo que tenha em conta as questões ambientais tanto para a UE como para o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).."Acabemos com o Mercosul de há 20 anos. Vamos construir um novo acordo (...) que seja responsável do ponto de vista do desenvolvimento, do clima e da biodiversidade", continuou..O Presidente francês já se manifestou mais do que uma vez contra este acordo comercial, cujas regras não são, na sua opinião, homogéneas com as regras europeias..O projeto de tratado, cujas discussões começaram em 1999, visa eliminar a maior parte dos direitos aduaneiros entre as duas zonas, criando um espaço de mais de 700 milhões de consumidores..Depois de ter sido alcançado um acordo político em 2019, a oposição de vários países, incluindo a França, bloqueou a sua adoção final, uma oposição que se tornou mais forte com a crise agrícola que assola a Europa..Outros países europeus, como a Alemanha e a Espanha, defendem a sua conclusão e entrada em vigor..No início do mês, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em visita oficial ao Brasil mostrou-se confiante na assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da oposição francesa..A Europa, "depois da guerra na Ucrânia, aprendeu a lição de que é preciso encontrar novos parceiros, diversificar as relação políticas, económicas e empresariais".."Para a União Europeia, seria espetacular ter um acordo", porque vai "promover uma mudança na geopolítica global", frisou..Depois do dia na Amazónia, Lula da Silva e Macron foram ao Rio de Janeiro, para uma visita, hoje, a um complexo naval situado no município de Itaguaí, onde está a ser desenvolvido um programa franco-brasileiro de submarinos..Do Rio de Janeiro, Macron seguiu para São Paulo, e chega na quinta-feira Brasília, para um encontro com Lula da Silva, no Palácio do Planalto.