Manifestação de 15 de setembro terá sido a maior desde o 25 de abril

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Centenas de milhares de pessoas manifestam-se hoje um pouco por

todo o país, de Norte a Sul, de Braga a Portimão, no âmbito do

protesto "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!".

Cerca de um milhar de pessoas manifestaram-se em Portimão contra

as medidas de austeridade impostas pelo Governo e pediram a demissão

do executivo de coligação PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos

Coelho.

Os manifestantes concentraram-se às 16:00, em frente da Câmara

de Portimão, e desfilaram depois pelas ruas da baixa da cidade até

à marginal, onde quem quis tomou a palavra para dizer o que entendia

e protestar contra as medidas de austeridade, como as alterações à

Taxa Social Única, que disseram estar a agravar o nível de vida dos

portugueses.

Com palavras de ordem como "Passos ladrão, não vales um

tostão" ou "Passos atenção, não queremos exploração"

e cartazes com frases como "Troika que os pariu", os

manifestantes deram voz ao seu desagrado pelo novo pacote de medidas

de austeridade anunciadas e contra a situação difícil que o

Algarve e o país atravessa em termos de desemprego.

"Não é admissível que este Governo, a mando da troika,

queira formar milhares ou milhões de descamisados. Não admitimos.

É uma tristeza, uma desgraça, os nossos governantes nunca cumprem

o que promete. E vejam como está o nosso país: um milhão de

desempregados, os jovens têm que emigrar", afirmou João

Vasconcelos, da organização da manifestação.

No centro histórico de Évora juntaram-se cerca de 500 pessoas

contra as medidas de austeridade.

Os manifestantes começaram a chegar à Praça do Giraldo,

considerada a 'sala de visitas' de Évora, por volta das 17:00,

percorreram algumas das principais ruas até aos Paços do Concelho e

voltaram à principal praça da cidade, onde foram feitos os

discursos.

Empunhando cartazes contra o Governo e a troika, os manifestantes

gritaram palavras de ordem como "Está na hora de o Governo ir

embora" e "O povo unido jamais será vencido".

Lúcio Caeiro, um dos organizadores do protesto em Évora, disse

à Lusa que "não esperava" a participação de tantas

pessoas e realçou que esta adesão "significa que os

portugueses estão indignados".

Na cidade de Setúbal, cerca de três a quatro mil pessoas

concentraram-se no Largo José Afonso e desfilaram pela Avenida Luísa

Todi até à Praça do Bocage.

Durante o protesto contra as medidas de austeridade ouviram-se

palavras de ordem a pedir a demissão do Governo e cantou-se o hino

nacional.

Cerca de 1.500 pessoas, segundo dados da PSP, juntaram-se hoje no

centro de Vila Real também em protesto contra as medidas de

austeridade anunciadas pelo Governo.

Na cidade onde cresceu, o primeiro-ministro foi vaiado e até

convidado a seguir o seu próprio conselho e emigrar.

"Pedro vai para a rua!", gritaram em uníssono os

manifestantes, muitos deles professores, jovens e desempregados.

"Sacríficos? Tenham juízo" ou "Governo PPC,

cavalo de troika", foram algumas das palavras de ordem que se

podiam ler nos cartazes espalhados pela praça do município.

Em Braga, a manifestação juntou, segundo a PSP local, cerca de

cinco mil pessoas e decorreu de forma "totalmente ordeira e

pacífica".

"Não há nenhum incidente a registar", disse à Lusa o

subintendente Daniel Mendes, do comando distrital de Braga da PSP.

O protesto decorreu desde as 15:00 até perto das 18:20, tendo

tido como epicentro a Avenida Central, onde os populares interessados

tiveram direito a fazer discursos de quatro minutos.

Em Coimbra foram mais de sete mil pessoas de diferentes idades,

quadrantes políticos e estratos sociais que desfilaram em protesto

contra as políticas da "troika" e do Governo.

"Gatunos, gatunos!" foi a palavra de ordem mais ouvida

na praça da República, onde começou a manifestação, e em todo o

percurso rumo à Baixa da cidade.

Às 18:00, após os manifestantes terem iniciado a marcha, pelo

menos 7.000 pessoas integravam o cortejo, segundo fonte da PSP no

local.

A fonte admitiu que mais cidadãos viessem a incorporar o

protesto, o que acabou por acontecer, com mais grupos a acorrerem à

avenida Sá da Bandeira, enquanto promotores da iniciativa "Que

se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" se revelavam

surpreendidos com a adesão.

Reformados, professores, funcionários públicos de diferentes

setores, estudantes, desempregados, operários, sindicalistas,

médicos, enfermeiros, advogados e comerciantes marcaram presença na

manifestação, tal como dirigentes da esquerda (BE, PCP e PS) e

mesmo alguns militantes e simpatizantes dos partidos que integram a

coligação do Governo (PSD e CDS).

Foi o caso de Norberto Pires, afeto ao PSD, que há poucos meses

se demitiu da presidência da Comissão de Coordenação e

Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O deputado do PS Mário Ruivo, o líder distrital dos

socialistas, Pedro Coimbra, o antigo vereador comunista da Câmara de

Coimbra Gouveia Monteiro, o presidente da associação Saúde em

Português, Hernâni Caniço, e o professor universitário José Reis

eram outros dos manifestantes, a que se juntaram ativistas de

esquerda, incluindo do Movimento Alternativa Socialista.

"Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal, a nossa luta é

internacional", gritavam alguns manifestantes, entre assobios,

bombos e outros instrumentos de percussão.

Diário de Notícias
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