Marcos, projetos e desejos de família

Como planear grandes viagens, comprar carro e preparar o regresso às aulas com finanças pessoais em ordem
Marcos, projetos e desejos de família
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Estes são alguns dos grandes temas deste capítulo de Finanças Pessoais e para os quais gostávamos de deixar recomendações.

Na grande viagem da família o planeamento com antecedência é crítico. Por que não planear agora para o Natal ou para a passagem do ano, ou ainda para o início do ano, caso a família goste de neve? Falamos de alojamentos e transportes bem mais baratos, enquanto consegue bilhetes para visitar museus que habitualmente têm entradas esgotadas. E, se quer fazer a viagem de sonho e não sabe como planear, por que não dar uma oportunidade à Inteligência Artificial e colocá-la a trabalhar para si. Dê-lhe apenas algumas pistas como locais de sonho, o seu orçamento e o número de pessoas envolvidas. Verá que a IA apresenta soluções num piscar de olhos. E não esqueça de que o melhor planeamento tem a ajuda do Portal do Cidadão.

 Em termos sucintos, o primeiro passo para a grande viagem começa no orçamento disponível e no destino que se pretende, ou vários destinos possíveis, se o orçamento for apertado. E se levar crianças ou idosos tem de pensar primeiro neles, em circuitos que possam fazer, em tempos de descanso, nas refeições apropriadas, na existência de serviços hospitalares próximos, e mesmo numa evacuação rápida perante uma doença súbita. Na viagem de carro, avião ou num cruzeiro é necessário ter kits de sobrevivência, onde está a medicação regular ou medicação para uma dor de cabeça, feridas, queimaduras, diarreia, constipações e gripes, a par de uma comida rápida para crianças, garrafas de água pequenas, uma lanterna e, se possível, um carregador de smartphone para uma emergência perante uma falha de energia. Verificar as previsões meteorológicas para levar mudas de roupa e calçado adequadas e pensar que pode ocorrer um evento que obrigue a permanecer no local de visita mais do que o programado também faz parte. Quanto a documentação, o essencial é o passaporte com uma validade superior a seis meses, o cartão de saúde em dia e uma visita à consulta do viajante para constatar as necessidades de proteção a nível de vacinas ou comprimidos perante riscos do país que se visita, e ainda verificar a obrigação de algumas vacinas e vistos de entrada. Para alguns medicamentos é conveniente levar uma declaração médica afim de evitar transtornos nas fronteiras. A par de, pelo menos, dois cartões de crédito diferentes, é conveniente levar dinheiro local ou para locais onde não aceitem dinheiro digital, sem esquecer o contacto local da embaixada ou do consulado para o caso de uma emergência. Pode contratar no aeroporto um Seguro de Viagem para todos, que cubra situações de catástrofe e evacuação rápida, para além de situações de saúde de emergência que possam surgir, a par de situações menos agradáveis, como furto de dinheiro e documentos. O Seguro de Viagem, quando para países para fora da Europa, é de toda a conveniência que tenha cobertura de despesas médicas com o mínimo de 30 mil euros, sendo que para os EUA, Canadá e Japão é conveniente ter limites de 100 mil euros por pessoa. Pode ainda incluir cancelamento de viagem, a perda de bagagem e atrasos ou assistência pediátrica para quem viaja com crianças. Para os países europeus terá de tratar do Cartão Europeu de Seguro de Doença. Este permite o acesso a cuidados de saúde públicos do país que visita, nas mesmas condições que em Portugal.

 Ainda antes de arrancar para a grande viagem precisa de orçamentar os gastos diários em refeições, que podem estar incluídas no alojamento, quanto irá gastar nos tours, nos museus, nos souvenirs, mas sempre lembrando que as companhias aéreas cobram por excesso de peso. Na compra do destino haverá que escolher aqueles onde pode ir com os filhos, se quiser ter consigo toda a família, e a janela é relativamente estreita pois tem de coincidir a viagem com as férias escolares. 

Há ainda que ter em conta que agentes de viagens e transportadoras aéreas fazem promoções de locais com descontos elevados. Uma última recomendação passa pelo bom planeamento das visitas. Não é recomendável chegar a uma cidade e ir à procura do que visitar. O roteiro deve estar previamente delineado. A ajuda de um profissional, nomeadamente da agência de viagens, pode ter grandes vantagens.

O carro

 Mas antes do planeamento da viagem devemos salvaguardar o transporte. E se em jovem se pensa numa mochila às costas e num interrail para viajar barato em 33 países europeus, já com família, ou próximo disso, pode ser relevante escolher a melhor opção para um carro.

Os nossos pais costumam dar os melhores conselhos nestas situações, e a primeira perspetiva é perceber que dinheiro fica disponível para a compra, e se a opção é um empréstimo junto de uma entidade financeira - que aliás o stand de automóveis disponibiliza, - ou se há outras opções tipo um renting em que se paga uma renda mensal e depois é só colocar combustível ou carregar se for eletrificado. Os conselhos dos pais começavam por exigir ao vendedor do carro que inclua os tapetes da viatura, algo sui generis, mas que ainda acontece, e depois passa por comprar um veículo em segunda mão, com menos de cinco anos, e um volume de quilómetros razoável para que o carro não dê problemas. A ideia é que há pouca experiência e sempre se estraga mais a viatura do que com experiência na condução, no estacionamento e na eficiente utilização do motor.

Depois destas recomendações, haverá que perceber para que fins é feita a compra do carro. Será para passeio ao fim de semana, para deslocações à região onde nasceram, para o dia a dia no transporte dos filhos e na ida às compras diárias ou semanais? Depois é conveniente saber se é para transportar a família de três ou quatro pessoas, ou se ainda se incluem pais de ambos os lados e/ou o animal doméstico, sendo que se for um cão grande ocupa o espaço de um adulto. E se não queremos ter problemas mecânicos, haverá que escolher um carro novo ou então um carro em segunda mão comprado num stand que também dá uma garantia mecânica de dois anos. Se a compra for a de um veículo de um particular é conveniente levar um mecânico para inspecionar e experimentar a viatura.

Depois destas considerações, a escolha terá de ser entre as soluções de motorização existentes. Para trajetos pequenos, nomeadamente para o transporte escolar e compras, o veículo a gasolina é o ideal, sendo totalmente de afastar a compra de um diesel (gasóleo), pois são motores que ganham problemas em trajetos curtos, para além de existirem cidades que proíbem o uso de veículo com este tipo de combustão. Aliás, com o claro desaparecimento futuro dos veículos a gasóleo e a gasolina, a opção no imediato é um veículo eletrificado com um motor a gasolina e um motor elétrico com autonomia da ordem dos 100 km, o que permite fazer trajetos curtos sem emissões de gases com efeito de estufa e gases cancerígenos. No entanto, para quem tem possibilidade de carregamento de eletricidade em casa ou no trabalho, a melhor opção, sem sombra de dúvida, é o veículo elétrico, sendo nem sequer é preciso investir num carro com extensão de autonomia, ou seja, em baterias maiores, porque há carregadores rápidos bem disseminados.

Uma novidade dos últimos anos tem sido a compra de um carro importado. Aqui, a atenção deve ser redobrada, sobretudo de carros que vêm da Europa central e onde os invernos são rigorosos, o que danifica toda a parte do chassis, com mossas e ferrugem. Uma inspeção rigorosa antes da compra é conveniente.

E para evitar ser enganado, é de toda a conveniência verificar na Conservatória do Registo Automóvel se existem encargos ou ónus sobre a viatura, e verificar o registo das revisões e reparações, sendo que nos veículos com menos anos fica tudo registado digitalmente e não há como fugir, incluindo a contagem de quilómetros. Uma solução que tem gerado bons resultados é a compra em segunda mão com certificação. O ACP tem esse serviço, assim como muitas outras plataformas, incluindo o Pisca-Pisca.

Falta-nos falar dos custos por ser proprietário. Terá a prestação mensal se comprar com empréstimo ou crédito pessoal, ou a renda mensal se for em leasing, mas mesmo que seja a pronto tem de contar com o seguro obrigatório, ou seguro com danos próprios, sendo que neste último caso está protegido por danos provocados por si, no seu próprio veículo, sendo que ainda pode ficar protegido em casos de vandalismo, incêndio e catástrofes naturais. Se optar pelo seguro mínimo fica protegido o terceiro e nada mais. Há ainda que pagar o IUC, um imposto anual de circulação, a inspeção obrigatória anual para veículo com mais de quatro anos de idade, sem esquecer as revisões obrigatórias indicadas pelo construtor e que caso, não sejam executadas, resultarão em avarias dispendiosas. Na compra, não esquecer o registo na Conservatória e a obtenção do Documento Único Automóvel, através do portal Automóvel Online ou no Espaço-Cidadão. 

Menos pesadelos com as aulas

Estamos quase em aulas e parte das compras já foram feitas. Para algumas famílias é o pesadelo das opções nas compras e um peso no orçamento que não estica. Algumas recomendações poderão ser úteis, embora mãe e pai já tenham muito do trabalho de aquisições programado. Aliás, numa família grande, com irmãos, já sabemos que haverá “heranças” entre eles, consoante as idades.

Na gestão do orçamento deve incluir não apenas o material escolar, mas também roupas e sapatos para as duas grandes estações que se aproximam, inverno e primavera. E não vale a ideia de que algum do equipamento é uma antecipação da prenda de Natal!

Depois de perceber o que pode gastar para o filho ou filhos e partindo do princípio de que falamos de uma escola pública ou privada, onde se incluem as propinas, a primeira atitude é reutilizar o material escolar que esteja em bom estado, incluindo mochilas e estojos com lápis, cadernos, canetas de pintar, etc. Depois de ter esta parte tratada, veja o que pode adquirir em segunda mão através de plataformas como o OLX, ou ainda pesquisar em plataformas online especializadas que vendem material em segunda mão, como seja a plataforma bookinloop.com . É possível ainda optar por compras de marca branca e fazer um comparativo de determinados materiais entre supermercados e papelarias ou use a comparador Kuantokusta.pt . A nível de livros e cadernos de atividades deverá ir à plataforma MEGA (manuaisescolares.pt) para solicitar livros gratuitos, via a atribuição de vouchers. Sabendo que terá de os devolver em bom estado, exceto os materiais do primeiro ciclo. Estes vouchers estão a ser distribuídos desde julho último e deve ter em consideração que estes materiais terão de ser levantados nas livrarias indicadas na plataforma. No convívio entre crianças e adolescentes a troca de materiais é algo comum, mas para evitar esse tipo de constrangimentos opte por sinalizar os materiais do seu filho ou filhos com etiquetas, se possível cozidas, caso de equipamento de ginástica, senão com etiquetas de plástico presas numas alças, ou coladas num caderno.

E sobre os custos verifique os apoios por parte do Estado, mas também deve informar-se sobre apoios de autarquias que complementam os apoios da MEGA.

Mas, talvez a forma de poupar mais no material escolar e derivadas seja através do IRS e, neste aspeto, tem de ter cuidado para poder deduzir até 30% das despesas e até um máximo de 800 euros. O que entra como despesas de educação, e tudo tem de estar devidamente classificado, é as propinas e mensalidades, e aqui envolvem-se as escolas públicas e privada. Os materiais deverão ter IVA a 6% ou isentos de IVA para os valores serem dedutíveis, e estão incluídos os manuais e livros escolares, as refeições escolares em cantinas, as explicações, os centros de ATL e os centros de estudos, sendo que para estudantes deslocados do ensino superior há outras bonificações para rendas. Os recibos devem ter o NIF (número fiscal) do estudante e este terá de fazer parte do agregado familiar, algo que obriga a uma declaração anual via o portal das Finanças, e que é algo simples de fazer.

De fora das “Despesas de educação”, mas que que podem entrar como “Despesas gerais” até um montante dedutível de 250 euros por contribuinte, e que no caso de um IRS conjunto do casal permite 500 euros, estão as mochilas, cadernos, lápis, canetas, computadores e material tecnológico, assim como fardas, vestuário e ainda o custo do transporte escolar. Toda a parte fiscal é tratada no portal E-Fatura e onde devem ser validadas este conjunto de faturas de forma a estarem bem classificadas.

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