Se algum dia voltasse a ser ministra das Finanças – o que garante que não vai acontecer -, Maria Luís Albuquerque afirma que gostaria de reverter o aumento das taxas liberatórias, que durante o governo de Pedro Passos Coelho subiram 7 pontos percentuais.“Há uma medida que eu não gostei nada de tomar e que, hoje, com as funções e a responsabilidade que tenho, ainda gosto menos: foi quando aumentámos a taxa liberatória dos 21% para os 28%”, disse Maria Luís Albuquerque, citada pela Rádio Renascença.Recorde-se que o aumento deste imposto, aplicado sobre juros de depósitos, rendas e rendimentos de capital, foi decidido e aplicado durante o mandato de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças, numa altura em que o país se encontrava intervencionado pela 'troika', devido à crise de dívida soberana de 2011.A ex-ministra de Pedro Passos Coelho admitiu que, na altura, era necessário aumentar impostos de forma musculada, para fazer face à despesa, e que por essa razão o Governo decidiu aumentar as taxas liberatórias.“Na altura, tínhamos de facto de aumentar impostos porque a despesa é mais rígida e acabámos por ter que aumentar impostos e tiveram todos de aumentar, até por uma questão de equidade e de justiça”, adiantou.Dez anos depois de ter saído do Governo, a comissária europeia admite que uma taxa liberatória elevada não é assim tão positiva para a economia, uma vez que tem um impacto negativo no incentivo à poupança.“Esta é uma decisão que eu gostaria de poder não ter tomado e que se voltasse - não voltaria, mas se voltasse - era uma daquelas que eu gostaria de reverter”, afirmou esta manhã para a sua plateia de jovens, justificando a decisão com o facto de que Portugal “precisa de estimular a poupança”.Na mesma ocasião, e em resposta à questão sobre a melhor forma de combater os nacionalismos, Maria Luís Albuquerque foi peremptória: combatem-se estimulando a riqueza para dar resposta às expectativas.“A forma de combater os nacionalismos é combater as causas. E voltamos à perspetiva da competitividade: se não conseguirmos crescimento económico para cumprir todas as promessas, vamos ter cada vez mais esses problemas. Portanto, temos mesmo de criar riqueza para que, com essa riqueza criada, possamos corresponder às expectativas dos cidadãos e fazer com que se foquem mais nos valores que nos unem do que nas preocupações específicas que nos podem manter separados”, referiu a comissária europeia citada pela mesma rádio.Maria Luís Albuquerque, que ocupa atualmente o cargo de Comissária Europeia com o pelouro dos Serviços Financeiros e União de Poupança e Investimento, aproveitou ainda o momento para anunciar que no fina de setembro a comissão vai elencar uma lista de medidas para estimular a poupança e sugerir aos Estados-membros que apliquem incentivos fiscais.“Uma das iniciativas que vamos agora apresentar, mesmo no final do mês de setembro, é uma recomendação para que os Estados-membros criem contas de poupança e investimento que sejam acessíveis para toda a gente, e que a criação dessas contas seja acompanhada de um incentivo fiscal”, revelou.