

As enormes dívidas das empresas que desenvolvem inteligência artificial estão no centro das preocupações dos mercados financeiros há bastante tempo. Agora, a corda estalou, com quedas bruscas em Wall Street, que se estendem à Europa e à Ásia.
Na sessão de quinta-feira, 6 de novembro, o índice Nasdaq 100 caiu 6,36%. Este reúne as 100 maiores tecnológicas cotadas na bolsa de valores de Nova Iorque, pelo que funciona como referência para o setor. O sell-off provocou uma perda de 2,3 biliões de dólares em valor de mercado, num único dia.
Ao mesmo tempo, o Nasdaq (índice geral de tecnologia) terminou o dia a perder 5,52%.
De resto, o dia foi profundamente negativo para o mercado norte-americano, ainda no rescaldo das eleições intercalares nos EUA. Prova disto é que o S&P 500 caiu 4,36%, o que significa que perdeu 2,8 biliões de dólares. Este índice reúne as 500 empresas de maior dimensão e registou o maior tombo desde abril do ano passado, quando Trump anunciou tarifas comerciais a quase todos os países do mundo.
Olhando às cotadas de maior dimensão em Nova Iorque, houve quedas de assinalar na Nvidia (9,26%), SpaceX (9,05%), Tesla (10,77%), TSMC (10,78%), Microsoft (3,58%), Meta Platforms (3,96%) e Amazon (2,19%), a título de exemplo. Mais além foi a Micron (17,46%).
Ainda assim, os sinais das últimas horas são mais positivos. Pelas 14h06 desta sexta-feira, os futuros do índice S&P 500 sobem 0,08% (a abertura acontece às 14h30, hora de Lisboa).
As quedas vão muito além da bolsa norte-americana, como é habitual nestas situações, se analisadas as variações anteriores.
Na Ásia, as bolsas ainda não beneficiaram da recuperação registada em pré-mercado na bolsa de Nova Iorque. O Softbank, que é um dos maiores investidores de risco no setor em todo o mundo, caiu 10,83% na sessão desta sexta-feira (bolsas já encerradas). Ajudou, por isso, a empurrar o Nikkei 225, índice de referência no Japão, para uma descida de quase 6%.
Na Europa, a sessão já beneficia da confiança observada nas últimas horas, de tal forma que a neerlandesa ASML está a valorizar 4%. Esta fabrica componentes essenciais à indústria de semicondutores, pelo que acompanha, em regra, o sentimento geral do setor tecnológico.