Grandes tecnológicas disparam e "onda azul" provoca sell-off nas empresas de Musk

O dia foi particularmente agitado, em função da vitória dos democratas em toda a linha. Além da forte subida nas bolsas americanas e europeias, o barril de petróleo caiu quase 10%.
Wall Street
Wall StreetEPA/SARAH YENESEL
Publicado a: 

A vitória histórica do Partido Democrata na intercalares, tendo conquistado a Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA, agitou os mercados financeiros ao redor do mundo. O dia foi particularmente movimentado em Wall Street, com gigantes tecnológicas a brilhar e as duas empresas de Elon Musk em perda. O petróleo registou a maior queda em meio ano.

Os candidatos democratas "pintaram de azul" o país e a reação da bolsa de Nova Iorque foi negativa nas primeiras horas, em função de receios sobre dificuldade para Donald Trump governar e de maiores impostos. No entanto, seguiu-se uma recuperação expressiva, com muito capital a migrar do Brent crude para o ouro e até da Tesla e da SpaceX para outras das empresas mais valiosas na bolsa de Nova Iorque.

Perto das 19 horas desta quarta-feira, as duas empresas de Musk registavam descidas significativas. O market cap da Tesla recuava 2,39%, ao passo que a SpaceX perdia 2,89%. Ainda assim, os cortes chegaram a ser maiores, na medida em que as duas chegaram a registar, perdas de 140 mil milhões de dólares, em valor acumulado, em pré-mercado.

Mas por que razão os investidores perspetivam maiores dificuldades para as empresas do magnata face aos resultados já conhecidos? Desde logo, Elon Musk apoiou as candidaturas republicanos nos EUA no valor 400 milhões de dólares, metade desta verba para o candidato do Texas.

É que, por um lado, ali está localizada a Gigafactory da Tesla, na qual são produzidos automóveis elétricos como o Model Y, o Cybertruck e o Cybercab. Recorde-se que este último já tem autorização para circular precisamente em Austin, capital do Estado do Texas (EUA), mas nenhum dos dois últimos pode circular na UE, pelo menos para já.

Por outro lado, a SpaceX lança os seus foguetões a partir da Starbase, no sul do Texas. Neste contexto, Musk vai ter que lidar com a liderança texana dos democratas, gerando insegurança nos mercados. De resto, também a Nvidia estava no 'vermelho', ao perder 1,20%.

Em contrapartida, outras empresas que pertencem ao grupo das 'Sete Magníficas' registavam, à mesma hora, ganhos que, no caso mais expressivo, superavam os 7%.

Registavam-se subidas na Meta Platforms, dona do Instagram, Facebook e Whatsapp (mais 2,3%), assim como na Alphabet, dona da Google (mais 4,3%), na Microsoft e Apple (ambas na casa dos 6%) e na Amazon (7,5%).

De resto, notava-se uma tendência positiva bem vincada, de tal forma que o índice agregado S&P 500 (tido como a principal referência) subia 1,8%, ao passo que o Nasdaq 100 (junta as 100 maiores empresas não financeiras listadas na bolsa de Nova Iorque, com grande foco em tecnologia e semicondutores) estava a ganhar 1,3%.

Europa ganha tração, Portugal acompanha

As bolsas europeias registaram uma sessão substancialmente positiva, igualmente animadas pela vitória dos democratas nos EUA.

Os índices de referência do Reino Unido e de França registaram ganhos de quase 2%. Mais à frente ficaram Alemanha e Itália (subidas superiores a 2%), ao passo que Espanha liderou o sentimento (somou 3%). O índice agregado Euro Stoxx 600 fixou aquém da média, ao avançar 1,82%. Este junta as 600 empresas com maior exposição de capital às bolsas europeias.

Também em Portugal, o sentimento foi positivo. O PSI subiu 1,82%, a beneficiar das subidas de 3,82% no BCP e 3,22% na EDP Renováveis, sendo que esta última tem operações com energias 'verdes' em solo norte-americano. A parceira EDP acompanhou, ao ganhar 2,26%. Em contrapartida, os CTT caíram mais de 11%, mas aqui o tema é outro, ligado à desilusão face aos resultados operacionais, além de terem feito saber que vão vender a maioria do capital do Banco CTT.

Matérias primas mexem em sentidos opostos

Ainda nos mercados financeiros, as commodities viveram um dia igualmente agitado, também sob o efeito da "onda azul".

O Brent crude estava a cair mais de 9%, para perto dos 95 dólares por barril. Ao momento, era o maior corte desde abril.

Significa isto que a principal referência dos mercados financeiros para o petróleo bruto (matéria-prima que dá origem aos combustíveis, por exemplo) baixou dos 100 dólares por unidade pela primeira vez em quase dois meses.

Por outro lado, o ouro estava a ganhar 3,3% e superava os 4.070 dólares, para máximos de uma semana.

Os resultados ainda não estão totalmente fechados, pelo que algumas réplicas podem ainda surgir, mas o principal impacto está assimilado pelos mercados.

Wall Street
Do primeiro senador muçulmano à primeira governadora indígena: umas intercalares cheias de estreias
Wall Street
Eleições intercalares nos EUA: Musk bate recorde como maior doador numa campanha com mais de 420 milhões