

Prosseguem as negociações de paz entre EUA e Irão, que geram instabilidade nas bolsas. O sentimento foi negativo na quinta-feira, na Ásia (exceção feita ao Japão) e na Europa, ao passo que os índices de referência em Wall Street, negociavam com perdas em torno de 0,1%, pelas 18h10.
Mais do que olhar às mexidas a curto prazo, importa fazer um zoom out, de forma a constatar a agitação vincada nas principais praças bolsistas.
Na base está a guerra entre EUA, Irão e Israel. Este tem sido o principal foco dos investidores (juntamente com outros que surgem e voltam a desaparecer, com o tempo) desde a primeira sessão bolsista de março, na sequência dos primeiros ataques.
Instabilidade continua a ser a palavra-chave para definir o comportamento dos mercados financeiros. O terceiro trimestre foi particularmente volátil, devido ao prolongar da guerra. É que o bloqueio do estreito de Ormuz provoca uma redução drástica na oferta global de petróleo, o que resulta numa escalada dos preços que alimenta a inflação e está na base de uma grande dose de incerteza para as economias e empresas de todo o mundo.
Em qualquer caso, o sobe e desce das ações e dos índices, não deve ser necessariamente visto pelos mercados como um risco inerente. Estas variações podem gerar oportunidades de investimento para quem está atento, conforme muitos analistas têm vindo a assinalar, nos últimos meses.
Ao mesmo tempo, o apetite pelo rendimento variável tem vindo superar o rendimento fixo. É que as obrigações de dívida pública continuam a perder seguidores.
As obrigações do Tesouro norte-americano continuam a registar um sell-off, que é igualmente visível à escala global, com maior impacto na Alemanha e no Japão, desde logo. Em causa estão vários fatores mas, sobretudo, a subida dos preços do petróleo, que gera pressões inflacionistas, assim como a escalada das taxas de juro dos bancos centrais. Aqui surgem, desde logo, a Fed e o BCE, que deverão optar por mais uma subida de 25 pontos base cada um, ainda antes do final de 2026.
Os prémios são baixos, se forem tidas em consideração as expetativas de aceleração da inflação nas maiores economias do mundo. O cenário leva os investidores a tornarem-se mais exigentes, pelo que procuram alternativas em busca de colocar as poupanças a render.
Assim sendo, o Departamento do Tesouro dos EUA responde com uma subida das yields, no âmbito de um esforço para reter o dinheiro, que é fundamental para financiar a economia norte-americana (a par de outras, com os respetivos títulos de dívida).
Neste contexto, os juros das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos já atingiram o patamar mais alto desde 2002. É que, pelas 9 horas de quinta-feira (hora de Lisboa), subiam 5 pontos base, para uma TANB de 5,34%. Recorde-se que, na economia norte-americana, este indicador está indexado ao crédito à habitação e cartões de crédito.
No mesmo sentido, as obrigações a 30 anos subiam igualmente 5 pontos base e pagavam 5,686%, pelo que atingiam também a taxa mais elevada desde 2002.
Ao mesmo tempo que petróleo, inflação e obrigações agitam os mercados financeiros, duas das empresas de capital aberto mais poderosas do mundo preparam-se para levar a indústria da inteligência artificial (IA) para o espaço.
Falamos da SpaceX e da Alphabet (dona da Google). Ambas estão cotadas em Wall Street (são duas das que têm maior valor de mercado) e dão passos para colocar data centers a orbitar a Terra pela primeira vez na história. Tendo isto em vista, juntaram-se para levar chips de inteligência artificial para o espaço, a bordo de um SpaceX Falcon 9, uma nave espacial construída pela empresa de Elon Musk. À hora de fecho desta edição, a nave espacial preparava-se para descolar.
Importa salientar que não é garantido que a experiência funcione ou que instalar infraestruturas de IA no espaço seja financeiramente viável. SpaceX e Google querem desafiar as probabilidades e, assim sendo, "o primeiro lançamento é para ver o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar essas descobertas em missões futuras", salientou Travis Beals, diretor senior na Google.
Certo é que, com a IA a funcionar como principal driver das bolsas nos últimos anos (especialmente evidente em Wall Street), os mercados vão estar atentos a desenvolvimentos nesta matéria.