

Os mercados financeiros continuam atribulados e o ponto de partida é a guerra entre EUA e Irão. O elevador nos principais índices bolsistas e no petróleo é símbolo da instabilidade, que está ligada, sobretudo, à incerteza geopolítica.
A semana tem ficado marcada pela expetativa, com os investidores a fazerem o capital viajar entre o petróleo e as ações (ou índices bolsistas). Na base estão os sinais contraditórios que chegam da guerra entre EUA e Irão.
Ora, segunda-feira trouxe reações positivas aos sinais que surgiram durante o fim de semana de que um acordo de paz estaria mais próximo. Na base esteve uma possível reabertura do estreito de Ormuz. É que a mínima luz sobre este cenário tem efeito imediato entre os investidores, ao colocar as bolsas em alta e o petróleo em queda.
Desde então o sentimento foi de indefinição em ambas as vertentes.
Na abertura de segunda-feira, o Petróleo Brent (referência europeia para os contratos futuros) baixou da fasquia dos 100 dólares por barril e não mais lá voltou, até às 18h45 horas de quinta-feira, quando marcava 92,48 dólares.
É que os dois principais intervenientes na guerra (EUA e Irão) discutem condições para um acordo de paz mas, em simultâneo, as tensões escalaram. Os ataques entre as duas partes voltaram a causar turbulência nas negociações, ainda que não se tenha observado um sentimento vincado.
Certo é que as novidades ligadas ao conflito vão continuar a guiar o sentimento dos mercados, sobretudo as que estejam ligadas a desenvolvimentos das conversações entre as duas partes. Por esta altura, os índices de referência das principais bolsas europeias já se aproximam ou até já passaram os níveis anteriores à guerra.
Em contrapartida, o petróleo deverá demorar a regressar aos níveis que apresentou no final de fevereiro, quando o Brent rondava os 70 dólares por barril. É que a destruição de infraestruturas energéticas localizadas no Médio Oriente vai condicionar o aumento da oferta pelo menos a médio prazo, mesmo quando o trânsito de petroleiros em Ormuz volte à normalidade. De acordo com a generalidade dos especialistas, a reposição total deverá demorar vários meses.
De assinalar ainda, para esta sexta-feira, a divulgação de dados sobre a inflação nas maiores economias europeias, que vai influenciar as bolsas dos respetivos países. É o caso de Alemanha, França, Espanha e Itália, assim como Portugal, ainda que com menor impacto.