

A acalmia tomou conta dos mercados, após Trump prometer o fim da guerra para "muito em breve". Ainda assim, não evita especulação sobre o preço do petróleo... que voltou a tocar os 100 dólares por barril na quinta-feira.
São estas as principais conclusões desta quinta-feira e, em geral, dos últimos dias, nos mercados financeiros. A guerra no Médio Oriente marca o panorama internacional desde o último dia de fevereiro e centra as atenções dos investidores.
Os índices de referência das principais praças europeias, norte-americanas e asiáticas abriram o mês de março com um sell-off generalizado. Já esta semana, Trump garantiu que o final da da guerra estaria para breve, permitindo alguma recuperação das bolsas, a coincidir com um recuo do petróleo. Porém, as tensões voltaram a escalar, pelo que o sentimento se inverteu, com novas quedas nos índices e, sobretudo, um disparo na procura pelos futuros do barril.
As bolsas registaram sentimento negativo na quinta-feira, da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa. Nesta última, os principais índices perderam menos de 1% (à exceção de Espanha, com uma descida ligeiramente superior), pelo que viram desvanecer a maioria dos leves ganhos que registavam em comparação com o fecho da semana passada. Ainda assim, há sinais positivos, com os mercados a responderem ao conflito com resiliência, na medida em que, no geral, há ligeiros ganhos, face ao início da guerra.
À tendência geral escaparam os setores da Defesa e Energia. No primeiro caso, as cotadas surfaram na escalada da tensão no Golfo, em virtude da expetativa de que vários países aumentem o investimento em defesa. Tal significaria aumentos ao nível das vendas e essa é exatamente a perspetiva das gigantes do setor.
A propósito, esta quinta-feira, a Leonardo apontou à duplicação dos lucros até 2030, de tal forma que valorizou mais de 5% na sessão. Porém, não apenas a gigante italiana regista otimismo, já que a britânica BAE Systems e a francesa Thales valorizaram de forma expressiva, a rondar os 7%, desde o início da semana (apesar das descidas de quarta-feira, em resultado dos sinais de Trump).
Também a energia beneficiou do teatro de operações montado no Médio Oriente, em virtude do disparo nos preços praticados nos contratos futuros de Brent e WTI.
O Brent, referência europeia para o barril de petróleo, atingiu máximos de 2022 na madrugada de segunda-feira, ao aproximar-se dos 120 dólares. As horas seguintes trouxeram quedas e a volatilidade foi evidente ao longo das sessões. Esta quinta-feira, porém, a tensão em torno do estreito de Ormuz fez disparar os preços.
Pelas 19 horas, o Brent subia além de 10% e superava os 101 dólares, o que significou o ponto mais alto desde a primeira sessão da semana. O WTI avançava igualmente mais de 10% e superava os 96 dólares, o que também significa que também marcava o nível mais alto no mesmo período. Em causa está o corte na oferta, ligado à guerra no Médio Oriente.
Em causa está a nova escalada das tensões, sobretudo em torno do estreito de Ormuz. Em condições normais, passa por ali cerca de 20% do petróleo comercializado em todo o mundo. Ora, o Irão quer impedir o transporte por embarcações não autorizadas, de tal forma que já foram registados ataques a petroleiros de vários outros países (ficam a salvo os que tem origem no Irão ou na aliada China).
Posto isto, a economia global depara-se com um cenário de redução expressiva ao nível do petróleo disponível no mercado. Mesmo que a guerra terminasse hoje, a indústria demoraria até voltar a funcionar a 100%. Neste contexto, a Agência Internacional de Energia reagiu como nunca: vai libertar 400 milhões de barris de petróleo... mas os mercados ignoraram. As atenções recaem agora sobre as tentativas dos EUA de controlar aquela região do globo, ao passo que o Irão se mantém firme na intenção de manter a posição.
Os receios sobre um corte agressivo na oferta e consequente disparo no preço não saem da cabeça dos investidores. Prova disto é que, na mesma semana, foram publicados os indicadores da inflação e balança comercial nos EUA, mas não influenciaram o sentimento.
Com a guerra a dominar a agenda, os mercados ignoraram os dados, até porque, no caso do IPC, são referentes a fevereiro. Significa isto que os preços, a começar precisamente pela energia, ainda não haviam sido influenciados pelos efeitos da guerra. Com o passar dos dias, vai começar a reunir-se expetativa pelos dados de março, sobretudo se a geopolítica continuar a ferro e fogo. Por enquanto, os restantes sinais que chegam do Médio Oriente estarão em foco e tudo leva a crer que a volatilidade vai continuar a ser raínha.