

A possibilidade de um acordo de paz entre os EUA e o Irão gerou perspetivas de recuperação da oferta de petróleo no mercado. Dito isto, o preço do barril está a cair quase 7% e toca valores que não eram vistos desde meados de abril.
A guerra entre os EUA e o Irão, que envolve também Israel e outros países do Golfo, continua a guiar o sentimento dos investidores nos mercados financeiros de todo o mundo. Neste âmbito, o fecho do estreito de Ormuz é o fator mais decisivo, visto que por ali passa 20% do comércio global de petróleo, em condições normais.
Ora, sempre que o clima de guerra se intensificou (a começar pelos ataques iniciais, a 28 de fevereiro), a procura por contratos futuros de petróleo tem tendência para aumentar, pelo que o preço sobe. Pelo contrário, quando se nota redução das tensões, sobretudo com a possibilidade de reabertura do estreito, as negociações recuam. Foi exatamente este segundo cenário que aconteceu na segunda-feira.
Estão em curso negociações entre EUA e Irão e, em cima da mesa, está a eventualidade de reabertura do estreito, fruto de um possível acordo. O cenário é perspetivado pelos mercados com otimismo, prevendo ganhos para a economia global e para as empresas (com raras exceções). Posto isto, muitos investimentos migraram do petróleo para as bolsas, desde a abertura da sessão.
Posto isto, o Petróleo Brent caía 6,94% até aos 93,26 dólares por barril, pelas 18 horas desta segunda-feira. Esta é a referência europeia para os contratos futuros de petróleo e o preço baixou dos 100 dólares pela primeira vez desde dia 7 de maio. Simultaneamente, alcançou os níveis mais baixos desde 21 de abril, ou seja, em mais de um mês.
Em paralelo, o WTI é a referência em Nova Iorque e recuava 7,06%, até aos 89,78 dólares. Volta a aproximar-se dos 90 dólares, em que já não toca desde 7 de maio.
A ideia de proximidade de um acordo foi reforçada pelo próprio Donald Trump no domingo, 24 de maio, ao esclarecer que as negociações "estão a decorrer de forma ordenada e construtiva". Ainda assim, o presidente dos EUA sublinhou a ideia de que não há "pressa" em alcançar um acordo.
Já na segunda-feira, Teerão fez saber que nenhum acordo está iminente, visando acalmar as expetativas internacionais sobre o tema.
Em todo o caso, muitos analistas alertam que os preços vão demorar até regressarem aos 70 dólares anteriores à guerra, independentemente de um eventual acordo. É que, em resultado da destruição de infraestruturas petrolíferas no Médio Oriente, a oferta de petróleo gerada pela vai demorar meses até regressar aos níveis anteriores ao conflito.
Certo é que a primeira sessão da semana ficou marcada pelo ânimo dos investidores. Muito capital migrou dos futuros de petróleo para as bolsas europeias, que voltaram aos níveis anteriores à guerra. Os índices de referência de Alemanha e Itália já superaram os registos de 27 de fevereiro, ao passo que Espanha e França ficaram mais perto desse patamar, assim como aconteceu com o índice agregado Euro Stoxx 600.
Também nas bolsas asiáticas ficou claro o sentimento positivo, de forma mais vincada na bolsa de Tóquio. É que o índice Nikkei 225 ganhou quase 3% e alcançou máximos históricos, ao superar pela primeira vez a barreira psicológica dos sete mil pontos.
Posto isto, o cenário é de recuperação de apetite dos investidores pelo risco. A tendência fica também notória em função das valorizações acima de 1% nos futuros de ouro e na Bitcoin.
De referir que a bolsa de Londres e a de Nova Iorque ficaram encerradas na segunda-feira, em virtude dos feriados celebrados no Reino Unido e nos EUA. Posto isto, a primeira reação da semana pelo FTSE100 e por Wall Street vão ser conhecidas nesta terça-feira.