

Os preços do petróleo bruto continuam a pesar de forma agressiva na economia global. Ainda assim, esse peso parece estar a diminuir na segunda maior economia do mundo, resultando numa redução dos preços.
Quem o diz é Lucía Gutiérrez-Mellado, diretora de Estratégia para Espanha e Portugal da JPMorgan Asset Management. O banco norte-americano tem, por hábito, divulgar análises aos mercados de capitais. Esta quinta-feira, 16 de julho, voltou a fazê-lo e a responsável fez saber que vê a guerra a terminar a curto prazo, já que "não interessa a ninguém que se prolongue", esclarece.
Ora, tal faria baixar os preços do petróleo, depois de a tendência ter sido a inversa nos últimos dias, em função de um aumento da tensão entre EUA e Irão. Os dois países avançaram com novas medidas de bloqueio ao estreito de Ormuz e a intensidade dos ataques na região aumentou. Posto isto, levantaram-se receios de redução da oferta, que cuja consequência imediata foi o aumento da procura por contratos futuros daquela matéria prima.
Dito isto, o Brent, referência europeia neste âmbito, disparou quase 11% na última semana e está a negociar nos 84,70 dólares por barril, pelas 10h45 desta quinta-feira. Ainda assim, os preços caíram 38% no segundo trimestre, em reflexo de alterações nas perspetivas de oferta e procura que deverão guiar as negociações a curto e médio prazo.
Do lado da procura por petróleo bruto, os mercados perspetivam que a China depende cada vez menos. Significa isto que o país, historicamente um dos grandes consumidores, está a reduzir a importação, ainda que de forma gradual, resultando na desaceleração dos preços praticados. Em contrapartida, aumenta a eletrificação da própria economia.
Ao mesmo tempo, surge, no capítulo da oferta, um desincentivo à subida dos preços. É que várias economias têm planos para aumentar a produção de petróleo em 188 mil barris, a breve trecho. É o caso de sete países membros da OPEP. É o caso de Arábia Saudita, Iraque, Omã e Kuwait (todos eles situados nas proximidades do estreito de Ormuz), a par de Argélia, Cazaquistão e Rússia.
Uma medida que, por um lado, permitiria aproveitar a escalada de preços face ao início da guerra (o barril de Brent rondava os 72 dólares no final de fevereiro). Por outro, resultaria numa redução dos mesmos, pelo crescimento da oferta disponível.
Os últimos dias trouxeram uma subida dos preços do petróleo. Ainda assim, com perspetivas de que o mesmo baixe em breve, antecipa-se, como consequência, a desaceleração da inflação.
Dito isto, Gutiérrez-Mellado sublinha que não há necessidade de o Banco Central Europeu (BCE) e a Fed "terem pressa" em subir os juros.