

A tensão alivia no Médio Oriente e o resultado nos mercados de capitais é evidente. O petróleo bruto caiu de forma significativa durante a semana e somam-se outros ativos com movimentações dignas de destaque.
O capital está a voar dos contratos futuros de petróleo, de tal forma que o barril de Brent já tocou os valores imediatamente anteriores à guerra entre EUA e Irão. As bolsas registaram volatilidade, ao mesmo tempo que o ouro está em mínimos de oito meses e o dólar está em máximos de 12 meses.
Estas são algumas das principais novidades da semana, em termos centrais, no que diz respeito aos mercados financeiros. Uma vez mais, as novidades em torno do conflito no Médio Oriente são o principal foco.
Um acordo de paz entre EUA e Irão continua no horizonte e a expetativa dos investidores passa precisamente por ver este concretizar-se. Posto isto, posicionam-se precisamente com este pensamento. Em simultâneo, o trânsito de petroleiros no Estreito de Ormuz está a aumentar, depois de meses marcados pelos bloqueios iraniano e norte-americano. Este fator sinaliza um alívio da pressão existente sobre a oferta de petróleo na economia global, pelo que contribui igualmente para a redução do preço.
Neste contexto, o Brent crude caiu 6,7% desde domingo, já que o barril rondava os 75 dólares pelas 17 horas de quinta-feira. Ainda de madrugada, as negociações chegaram a fazer-se abaixo dos 73 dólares, o que significa que tocou os níveis imediatamente anteriores à guerra (queda de 9,5% desde o início semana).
O Brent é a referência europeia para as negociações dos contratos futuros de crude, o que significa que assume um papel preponderante no setor. De assinalar que os preços das gasolineiras levam em consideração precisamente a cotação deste ativo.
Em simultâneo, o equivalente norte-americano, que é o West Texas Intermediate (WTI), caiu 6,5%, para 71,60 dólares por barril. Este atingiu igualmente mínimos relativos na madrugada desta quinta-feira, com os valores a ficarem abaixo dos 70 dólares (retrata uma queda de 8,7% desde o início da semana).
Apesar das saídas agressivas de capital no petróleo bruto, as bolsas registaram uma semana marcada acima de tudo pela volatilidade. Posto isto, o índice agregado Euro Stoxx 600 fechou a sessão de quinta-feira a ganhar 0,48% desde a abertura da semana, em linha com os leves ganhos registados nos índices de referência das principais praças europeias.
Posto isto, a maioria das perdas registadas desde o início da guerra já foram recuperadas, sendo que alguns índices até estão perto do patamar mais alto já alcançado. É o caso do Euro Stoxx 600, que alcançou um máximos históricos nesta quinta-feira.
Do outro lado do Atlântico, o sentimento foi semelhante, com a tecnologia a ser castigada. Em Wall Street, o setor iniciou a semana com uma queda de 6%, muito devido ao tombo registado na terça-feira na capitalização de mercado da Micron, na ordem de 13%.
A fabricante de chips semicondutores destinados a memória e armazenamento de dados acabaria por surpreender com os resultados, de tal forma que as ações disparavam perto de 17% na abertura de quinta-feira e, pelas 17 horas, registavam uma variação semelhante.
Ouro em forte baixa
Depois de 2025 ter sido o melhor ano de sempre dos futuros de ouro, cujas negociações beneficiaram, em larga medida, da compra por parte de bancos centrais, 2026 está a ficar marcado por quedas agressivas.
O metal precioso, que por norma é visto como reserva de valor, começou por ser muito castigado pelo anúncio de Kevin Warsh como próximo presidente da Reserva Federal (entretanto assumiu o cargo), no final de janeiro. Seguiu-se a perca de apetite dos investidores, nos primeiros meses da guerra e, mais recentemente, a valorização do dólar face ao euro (já lá vamos) está a contribuir para as quedas agressivas.
Posto isto, o ouro já caiu perto de 30% desde os máximos históricos alcançados a 29 de janeiro (acima de 5.600 dólares por onça). Esta quarta e quinta-feira chegou inclusive a ser negociado abaixo dos 4 mil dólares. Significa isto que o metal já recuou para mínimos de outubro de 2025.
Uma das razões passa pelo recuo do euro face ao dólar, para mínimos de 13 meses. Algo que coincide com os dados económicos, que transparecem maior resiliência na economia dos EUA do que na zona euro. Surge, por isso, a perceção dos mercados de que a Fed se prepara para manter as taxas de juro altas, ao passo que o BCE se aproxima de baixar os juros, o que poderia contribuir para maiores riscos, a começar por uma escalada da inflação.
Certo é que as novidades ligadas à guerra vão continuar a mexer com o apetite pelo risco, entre os investidores.