

Os riscos associados à guerra no Golfo puseram o preço do barril de petróleo bruto a subir quase 4%. Na base esteve a nova escalada de tensões entre Teerão e a Casa Branca.
O Irão fez um novo conjunto de exigências para a reabertura do estreito de Ormuz (por onde passa 20% do mercado global de petróleo, em condições normais), desde o levantamento das sanções económicas ao pagamento de compensações pelos danos provocados em solo iraniano.
Em resposta, Trump endureceu o discurso, ao sinalizar a intenção de desgastar a economia iraniana, o que significa que se mostra pronto para prolongar da guerra. Nos mercados financeiros, a grande consequência foi a nova escalada do preço do petróleo.
As negociações da sessão desta segunda-feira ficaram marcadas por um aumento da procura por contratos futuros de petróleo bruto. É o caso do Petróleo Brent, que é a principal referência para o efeito, nos mercados financeiros. Neste dia, o barril ascendeu a 86,70 dólares.
Atingiu-se o preço mais alto desde o início de agosto. É que, na noite de dia 2 de agosto (domingo), as negociações abriram abaixo dos 83 dólares por barril. Depois de o preço cair para perto de 78 dólares entre terça e quarta-feira da semana passada, o clima de incerteza em torno da guerra viria a resultar num renovado aumento da procura, com efeito no preço no preço.
Sendo o Brent a principal referência para investidores e indústria petrolífera, este valor impacta os preços praticados em todo o mundo: quando o preço sobe, os combustíveis tendem a seguir pelo mesmo caminho.
A guerra continua no centro das atenções. Dito isto, segue desde o início de março (com raras e rápidas exceções) como o principal driver dos mercados financeiros. Face ao final de fevereiro (os preços rondavam os 72 dólares aquando dos primeiros ataques), falamos de uma escalada de 20% nas negociações.
Ainda assim, esta já foi mais acentuada, na medida em que os preços chegaram a superar os 120 dólares, no final de abril, quando se observou um pico da tensão entre EUA e Irão.
Em causa estão maioritariamente os ataques no estreito de Ormuz. Vários petroleiros de diversos países já foram atacados, com danos significativos, além de o Irão ter assinalado a intenção de aplicar uma tarifa e os EUA terem garantido que a segurança dos navios depende do pagamento de uma taxa.
De resto, também o Canal do Suez foi palco de ataques, nomeadamente aqueles que foram desferidos pelos Houthis (aliados do Irão) sobre dois navios da Arábia Saudita (aliada dos EUA). Tudo somado, o clima de incerteza é a tendência dominante e o resultado são variações agressivas nos preços.
É que o transporte de petróleo torna-se um negócio mais exigente de uma perspetiva logística e, por consequência, mais caro. O resultado é o aumento dos preços para o consumidor final.