"Risco também significa oportunidades" nos mercados financeiros

Ao mesmo tempo que a inflação deve desacelerar, a agitação das avaliação gera oportunidades para os investidores. Quem o diz é Gregor Hirt, especialista da Allianz Global Investors.
Gregor Hirt é CIO Multi Asset na Allianz Global Investors
Gregor Hirt é CIO Multi Asset na Allianz Global InvestorsAllianzGI
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A inflação deve desacelerar até ao final do ano e a resiliência da economia é de assinalar. Neste contexto, surgem oportunidades assinaláveis nos mercados financeiros.

Estas são algumas das conclusões dos analistas da Allianz Global Investors, partilhadas nos "European Media Days". O evento decorreu em Frankfurt (Alemanha) e contou com a presença do DN/DV.

Ora, de acordo com Christian Schulz, economista chefe daquela organização, a inflação deverá recuar para perto de 2,5% na zona euro (3,2% em maio) até ao término de 2026, ao passo que a inflação nos EUA deverá contrair para 3,5% (4,2% em maio) no mesmo período. Significa isto que estamos num "ambiente com crescimento resiliente, talvez até forte, mas inflação também alta", reforça.

Christian Schulz, Chief Economist da AllianzGI, antevê um abrandamento gradual da inflação.
Christian Schulz, Chief Economist da AllianzGI, antevê um abrandamento gradual da inflação.AllianzGI

Ao longo do evento algumas ideias uniram os especialistas, como é o caso da importância da "gestão ativa", que permite dar resposta à instabilidade económica e geopolítica, que se reflete nos mercados financeiros. Em simultâneo, a onda de IPOs que prometem movimentar grandes volumes de capital (começou com a SpaceX) intensifica esta ideia.

É que, neste momento, o ambiente envolve múltiplos "riscos" de elevado grau de importância, em função da inflação alta (ainda dependente da guerra no Médio Oriente), juntamente com a desaceleração do crescimento económico à escala global. Porém, como explicou, Gregor Hirt, CIO de Multi Asset um cenário de "risco também significa oportunidades" para os investidores. O próprio especializa-se em várias classes de ativos, pelo que tem uma visão abrangente.

"A economia está OK e os resultados [das empresas] estão muito sólidos", o que gera otimismo entre os responsáveis da Allianz Global Investors, salienta.

Em simultâneo, há uma ideia generalizada de a Inteligência Artificial é o "grande motor" dos mercados, olhando para 2027. Ao mesmo tempo que há muita infraestrutura em processo de construção, no sentido de dar resposta ao elevado grau de procura e restrições existentes ao nível da oferta.

Quem o diz é Michael Heldmann, CIO Equity da Allianz GI, que não tem dúvidas de que vai surgir "impacto real na produtividade do lado industrial", sublinha. Uma realidade que "será visível nos resultados em algum momento" e estas melhorias serão também transpostas para a cadeia de produção.

Michael Heldmann é CIO Equity da AllianzGI
Michael Heldmann é CIO Equity da AllianzGIAllianzGI

À data, as perspetivas dos investidores estão de tal forma centradas na IA, que "não estão interessadas nas taxas de juro", assinala. "É tudo à volta das perspetivas de crescimento (...) para futuros resultados [das empresas]", mas isto não representa a totalidade do capital.

"Há o resto, onde o mercado tem prestado muita atenção aos juros", de tal forma que é muito sensível, sobretudo às decisões da Reserva Federal (Fed), na hora de escolher as melhores cotadas nas quais investir.

Concentração da valorização em poucas empresas

Sobretudo em Wall Street, nota-se uma valorização muito expressiva de um pequeno grupo de empresas. É o caso das maiores cotadas do índice S&P 500, em Nova Iorque.

Ao abordar este tema, Heldmann recorre ao passado. Historicamente, este cenário "não é um sinal" no curto ou médio prazo. Pelo contrário, é significativo quando ocorre a longo prazo, ou seja, num período de "10 a 15 anos", diz.

"Mais dispersão no mercado" gera, por norma, "um ambiente positivo para o investimento ativo" e é precisamente isto que o próprio espera, para o futuro. Esta foi uma das várias vezes em que os especialistas sublinharam a importância da gestão ativa, que consiste na abertura e fecho de posições conforme as novidades que surjam nas mais variadas áreas (macroeconomia, empresas, geopolítica, etc.), a todo o momento.

O objetivo passa por aproveitar precisamente as oportunidades que surjam e fugir a quedas agressivas, ou seja, capitalizar ao máximo as flutuações do mercado. Esta é uma visão que se intensifica em 2026, ano de IPOs históricos.

Tudo começou com a SpaceX, que entrou em Wall Street a 12 de junho, registando de imediato uma enorme entrada de capital (que fez de Musk o primeiro 'trillionaire' do mundo). Em todo o caso, nomes como OpenAI e Anthropic (donas dos modelos de linguagem ChatGPT e Claude, respetivamente), preparam-se para entrar igualmente na bolsa de Nova Iorque, pelo que deverão vir a caminho novas flutuações de mercado. Tudo isto está ainda ligado à IA como principal motor das bolsas, já que a própria SpaceX é dona da xAI, detentora do Grok (rival dos anteriores).

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