Lionesa. Índice de felicidade dos trabalhadores é de 88%

Centro empresarial do Norte desenvolve políticas para reduzir o stress e a ansiedade, apoiar a criatividade e reforçar a saúde das quase 10 mil pessoas que trabalham nas 120 empresas do campus.
Os colaboradores das empresas instaladas na Lionesa juntam-se para assistir aos jogos de futebol.
Os colaboradores das empresas instaladas na Lionesa juntam-se para assistir aos jogos de futebol. D.R.
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O centro empresarial Lionesa, em Leça do Balio, continua a aguardar a aprovação do plano de expansão que, entre outras infraestruturas, prevê mais 110 mil metros quadrados para escritórios e serviços, a criação de um jardim filosófico com cinco hectares e a instalação de infraestruturas de desporto e lazer. A filosofia destes projetos assenta na concepção de locais de trabalho onde resida a felicidade. Na Lionesa, “o índice de felicidade dos trabalhadores está nos 88%”, assegura António Pedro Pinto, diretor dos departamentos de marketing e de felicidade e bem-estar. Este barómetro tem “uma monitorização mensal, que permite ajustar as políticas para ir de encontro às expectativas”.

A Lionesa, que se apresenta como um dos principais centros empresariais de Portugal, criou um modelo de felicidade e bem-estar para servir as 120 empresas e as quase 10 mil pessoas que trabalham no local. O objetivo é “reduzir o stress e a ansiedade, promover as relações interpessoais, ajudar à criatividade e ao bem-estar e reforçar a saúde dos trabalhadores”, explica. Para isso, o campus inspirou-se num ambiente universitário e dispõe de diferentes espaços de trabalho e convívio. Também apostou em trazer a natureza para dentro de portas, através da instalação de elementos naturais, e criou espaços ao ar livre para trabalhar, conviver ou relaxar. Não esqueceu a arte e tornou-se anfitriã de exposições temporárias e permanentes. O centro tem o maior mural de arte urbana do Norte do país.

Segundo António Pedro Pinto, a Lionesa está focada “em promover um ambiente que misture o lazer com o trabalho, e em fomentar um espírito de comunidade”. No centro, há uma agenda de atividades e eventos 100% gratuitos, que vão de aulas de yoga ou surf, aos arraiais de S. João ou à transmissão de jogos de futebol. Há também a Hello App, uma rede social corporativa para facilitar o conhecimento entre os colaboradores e juntar grupos de interesse. A missão é combater “as doenças laborais, que se tornaram uma pandemia. Uma em cada quatro pessoas na Europa sofre de esgotamento”, sublinha.

O excesso de trabalho, a pressão para apresentar resultados, a sensação de falta de propósito, o tecno stress (muito tempo ao ecrã), a síndrome do impostor (mérito próprio ou sorte?) são matérias que estão a afetar a saúde mental dos colaboradores, defende António Pedro Pinto. Na sua opinião, atualmente, a felicidade corporativa é muito mais do que salário, mesas de pingue-pongue e almoços gratuitos. O talento quer um rendimento ajustado ao esforço e prémios anuais, mas também dias de férias extra e serviços complementares, uma cultura organizacional e comunicação interna. Para o responsável é inexplicável que não exista no país um mestrado de recursos humanos com uma disciplina dedicada às questões da felicidade no trabalho.

No próximo ano, em setembro, a Lionesa irá organizar, no Porto, mais um Happiness Camp, “a maior conferência de recursos humanos da Europa”, afirma. Será a quarta edição, depois de em 2024 ter atraído cerca de 15 mil pessoas, de 70 nacionalidades. O evento pretende ser um motor de mudança do “paradigma do mundo corporativo, onde o esgotamento e a depressão predominam”. Para António Pedro Pinto, “estas doenças acontecem em culturas que beneficiam a performance em detrimento das pessoas”. O Happiness Camp procura explorar estratégias que coloquem os colaboradores no centro dos negócios. A conferência já contou com a presença de líderes de empresas como a Coca-Cola, Google, Toyota Motors, Netflix, entre outros.

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