Libertas estreia conceito “construir português” com investimento de 70 milhões no Montijo

Promotora portuguesa aposta no saber fazer português e constrói condomínio de 217 apartamentos, com 80% de incorporação nacional. A piscar o olho aos jovens casais, vendas arrancam a 25 de abril.
Pascal Gonçalves, CEO do grupo português Libertas, tem outros projetos residenciais em carteira.
Pascal Gonçalves, CEO do grupo português Libertas, tem outros projetos residenciais em carteira.Foto: Leonardo Negrão
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O grupo Libertas está prestes a iniciar a construção do Modjo Riverside, um condomínio privado de 217 apartamentos, que irá nascer no Montijo, junto ao rio Tejo, fruto de um investimento de 70 milhões de euros. Este novo projeto quer diferenciar-se no mercado pelo elevado índice de incorporação nacional de produtos e serviços. Segundo Pascal Gonçalves, CEO do grupo, vai atingir os “80%, quando o normal são 60%”. Mão de obra, materiais e arquitetura terão mãos lusas. Apenas 14% dos fornecimentos têm origem noutros países da União Europeia e 6% do resto do mundo. É um conceito assente na divisa “construir português”.

“Os nossos compradores são essencialmente portugueses e para poder comprar casas precisam de trabalhar”, justifica Pascal Gonçalves. É um círculo virtuoso. Como sublinha, esta estratégia “é mais interessante para o crescimento do país”, que tem na construção “uma das poucas fileiras quase 100% nacionais”. Os custos da obra “não aumentam significativamente”, apesar de os materiais provenientes da China e da Índia serem muito mais baratos. “O nosso trabalho como promotor não passa por construir mais barato. Temos de assegurar a garantia de dez anos na construção e de cinco nos acabamentos”, frisa. É também uma questão de qualidade, lembra.

A construção do Modjo Riverside tem arranque previsto para junho deste ano e a entrega das chaves aos futuros proprietários deverá suceder no final de 2028, adianta o gestor. Mas a comercialização começa já este sábado, 25 de abril. Uma data que simboliza a liberdade no país e que abre “uma oportunidade para os jovens saírem de casa dos pais”, explica Pascal Gonçalves. O projeto contempla apartamentos de tipologias T0 a T3, distribuídos por cinco pisos, mas a predominância serão os T1 e T2, num piscar de olhos aos casais mais novos. Na mira, estão ainda investidores, que compram casas para arrendar.

O Modjo Riverside estará concluído no final de 2028.
O Modjo Riverside estará concluído no final de 2028.Foto: D.R.

O preço de um T1 começa nos 240 mil euros, enquanto o custo mínimo de um T2 é de 349 mil euros. Valores acima da média das transações realizadas do mercado. A essa questão, Pascal Gonçalves responde: “Em Lisboa, um T2 custa bem mais. Não é possível vender habitação nova abaixo destes valores”. Os custos de construção “subiram muito nos últimos anos”, justifica. Ainda assim, o projeto Modjo enquadra apartamentos dentro dos valores definidos pelo Governo como habitação acessível, ou seja com um preço de venda até 660.982 euros e, portanto, potencialmente abrangidos pelo IVA a 6%. Gonçalves garante ainda que os compradores sentirão esse desconto. Mas não deixa de lançar alguns recados.

O Regime Jurídico da Urbanização e Edificação define dimensões mínimas para as várias tipologias de casas e “isso condiciona o preço”, aponta. Também exige que os sanitários sejam acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida. “Eu não entendo porque é que todas as casas precisam de um quarto de banho com essas características. São precisos seis metros quadrados, quase o dobro do que seria necessário sem essa obrigação (3,5 metros quadrados). Encarece o preço”, diz. Segundo Pascal Gonçalves, a Alemanha aprovou regras mais flexíveis para a habitação a preços acessíveis, que vão permitir baixar em 15% o preço do metro quadrado.

Regressando ao Modjo Riverside, o gestor frisa também que o valor do projeto não se restringe à casa e à dimensão da habitação. “Estamos a criar uma comunidade, um espaço agradável, quase uma espécie de aldeia”, diz. O empreendimento contará com valências como jardins, piscina, áreas de coliving e cowork, salas de fitness e de media. A filosofia assenta numa experiência de habitação que vai além do espaço privado e procura acompanhar e integrar a vida pessoal e profissional. A eficiência energética e hídrica não foi esquecida, estando previstas soluções de energias renováveis e sistemas de reaproveitamento de água, com vista à obtenção de classificações energéticas A ou A+ e certificação AQUA+.

Pascal Gonçalves quer replicar este conceito de “construir português”, estando já em carteira um projeto para a Figueira da Foz em tudo semelhante. Prepara-se também para avançar em breve com dois novos empreendimentos residenciais junto ao centro de estágio do Benfica, no Seixal, as Benfica Residence, O grupo Libertas, fundado há mais de três décadas, tem atividade nas áreas da construção, promoção imobiliária, hotelaria (marca StayUpon), energia renovável, agricultura biológica, entre outras. No ano passado, a faturação ascendeu a 38 milhões de euros. Emprega 250 pessoas.

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