Net Zero. 84% das empresas planeiam aumentar investimentos em sustentabilidade

Soluções de <em>green cloud</em> podem reduzir emissões de carbono em 59 milhões de toneladas por ano e mudar caminho
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O atual contexto geopolítico e macroeconómico veio dificultar o cumprimento dos objetivos de descarbonização até 2050. Ainda assim, e apesar da elevada inflação, restrições nas cadeias de abastecimento, guerra e consequências da pandemia, 84% das empresas a nível mundial planeiam aumentar os investimentos em iniciativas de sustentabilidade.

As conclusões são do Accelerating Global Companies Towards Net Zero by 2050, estudo produzido pela Accenture, que revela também que a atual instabilidade global, impulsionada principalmente pela guerra na Ucrânia, não impediu o foco na sustentabilidade. Na verdade, 39% de todos os compromissos e metas com base científica assumidos desde 2015, foram postos em prática nos meses seguintes ao início do conflito.

Ainda assim, e embora o número de empresas que procuram alcançar as zero emissões de gases com efeitos de estufa até 2050 tenha vindo a crescer de forma acelerada nos últimos dois anos, são também as organizações que assumem estes compromissos as responsáveis por cerca de dois terços das emissões globais. Apesar dos atrasos relativamente ao progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o escrutínio por parte de consumidores, colaboradores e investidores em relação ao papel das empresas na criação de um mundo mais sustentável é agora mais forte, contribuindo para manter o foco na transição verde.

Rumo à descarbonização
Os temas relacionados com o ESG - sigla em inglês para Environmental, Social and Governance -, já foram, em tempos, encarados pelas empresas como despesa. A realidade é agora diferente, sendo estes temas encarados como "parte dos processos centrais do desenvolvimento da atividade das organizações", conforme explica Bruno Martinho, managing director da Accenture Strategy.

A tecnologia e a inovação, mas também a colaboração e regulação, são "ingredientes" estratégicos para a redução de emissões nas cadeias de valor. "Existem tecnologias transversais a todos os setores", mas pode destacar-se a adoção de "green cloud" como uma das medidas possíveis no caminho para a descarbonização. Esta solução permite uma redução de 30% a 40% no custo total de infraestruturas de Tecnologias de Informação (TI), o que impacta significativamente a sustentabilidade e o clima, com um potencial de redução de emissões em 59 milhões de toneladas de CO2 por ano. "É o mesmo que retirar 22 milhões de veículos das estradas, além diminuir em 65% o consumo de energia e em 84% as emissões de carbono", sublinha o responsável.