O Novobanco apresentou lucros recorde de 743,1 milhões de euros em 2023, crescendo 32,5% em relação aos 560,8 milhões de euros registados no ano anterior, segundo a informação enviada esta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). ."Em 2023 o Banco apresentou um conjunto de fortes resultados, superando todas as metas financeiras, e evidenciando um consistente histórico de execução e entrega”, comenta Mark Bourke, presidente executivo da instituição financeira, citado em comunicado..A margem financeira, que quase duplicou para 1,14 mil milhões de euros, à boleia das altas taxas de juro, ajuda a explicar os resultados. A evolução favorável da taxa dos ativos (juros pagos pelos clientes nos empréstimos) - que passou de 1,79% para 4,16% - “mais que compensou” o aumento - de 0,31% para 1,40% - das taxas passivas (juros pagos pelo bancos dos depósitos)..Em todos os trimestres que compõem o ano, houve uma “evolução positiva” a registar. Foi neste sentido que o Novobanco fechou o exercício com um produto bancário comercial - que engloba receitas provenientes de comissões, juros, operações interbancárias e outras despesas - de 1,43 mil milhões de euros, avançando 56,6% (519,9 milhões) em termos homólogos..Esta mesma rubrica poderia ter alcançado maiores cifras, não tivesse o crescimento das comissões - que ascenderam aos 296,1 milhões de euros, em reflexo de uma ligeira subida de 0,9% face a 2022 - sido “parcialmente impactado pelas alterações legislativas”, nota o banco, referindo-se à suspensão das comissões cobradas em determinados empréstimos à habitação..O crédito a clientes, por seu turno, totalizou 25,5 mil milhões de euros até dezembro, dos quais "54% concedido a empresas, 40% de crédito habitação e 6% de crédito ao consumo e outros”, mantendo-se praticamente inalterado em relação ao igual mês do ano anterior (-0,5%). Já a nova produção de empréstimos, embora tenha atingido os 3,5 mil milhões de euros (3,9 mil milhões em 2022), acabou por ser “parcialmente mitigada pelo aumento das amortizações” antecipadas..No que toca à qualidade da carteira, lê-se no comunicado, os créditos não produtivos apresentaram uma redução de 17,7% face a dezembro de 2022, situando-se em 1,13 mil milhões de euros, e o rácio de NPL bruto (referente ao malparado) baixou para 4,4%, com um nível de cobertura de 84,3%. Não obstante a melhoria dos indicadores, o relatório hoje divulgado mostra que a entidade bancária reforçou em 74,9 milhões de euros as provisões e imparidades só para crédito (para um total de 109,4 milhões)..Na mesma dinâmica de estabilidade, os recursos totais de balanço pouco cresceram em 2023 (0,2%) comparativamente com o ano anterior, perfazendo os 34,9 mil milhões de euros até dezembro. A representatividade dos depósitos de clientes, que decresceram 272 milhões de euros (1%), para 28,1 mil milhões, situou-se nos 80,7%. .Já os custos operacionais apresentaram um aumento de 6,9%, totalizando 479,2 milhões de euros: os custos com pessoal foram de 252,7 milhões (+8,1%), os gastos gerais administrativos totalizaram 182,9 milhões (+12,8%) e as amortizações ascenderam a 43,6 milhões (-17%). O rácio cost to income comercial situou-se em 33,3%, refletindo “o desempenho do produto bancário comercial (+56,6%) versus os custos operativos (+6,9%)”, é explicado..O Novobanco transitou o ano com menos dois balcões, contando à data com 290 agências, e reforçou as suas equipas em 119 trabalhadores, apontando agora este somatório para 4209.