Os ‘doentes’ do Centro UAlgTec Health gemem, perdem sangue, engasgam-se e o seu estado  
de saúde pode agravar-se.
Os ‘doentes’ do Centro UAlgTec Health gemem, perdem sangue, engasgam-se e o seu estado de saúde pode agravar-se. FOTO: UALGTEC HEALTH

"O Centro de Simulação Clínica da UAlg, de forma simplista, faz bem aos médicos"

São "cobaias" o mais realistas que a alta tecnologia permite, que se engasgam, choram, transpiram e podem até morrer, verdadeiros 'tamagochis' para os médicos poderem treinar e aprender sem matar.
Publicado a

"Temos um centro de simulação extremamente bem equipado e moderno, que está ao nível dos melhores da Europa", garante Inês Araújo, recém-empossada - no passado mês de julho - diretora da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas (FMCB) da Universidade do Algarve (UAlg), antes de explicar que tipo de formação é possível encontrar no também chamado Centro UAlgTec Health. Sempre atribuindo o mérito do Centro de Formação à "visão estratégica" da sua antecessora, Isabel Palmeirim, a responsável avançou que nele se encontram vários tipos de simuladores ["bonecos"] de baixa, média, e alta-fidelidade que permitem aos estudantes e médicos treinar e repetir procedimentos em segurança em diferentes áreas clínicas, graças a software avançado.

Aliás, sublinha, os utilizadores e investigadores têm algo tão sofisticado como o recurso a realidade virtual e realidade aumentada, com o apoio de Inteligência Artificial para o desenvolvimento de cenários complexos. Uma formação de excelência que leva Hugo Barros, coordenador do CRIA - a Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg - a afirmar, com humor, que "o Centro de Simulação Clínica, de forma simplista, faz bem aos médicos".

Inês Araújo, diretora da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da UAlgarve.
Inês Araújo, diretora da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da UAlgarve. FOTO: UALGTEC HEALTH

Isto, se puder depois explicar, diz, de uma forma mais complexa, aquilo em que o Centro de facto se distingue: "Faz bem, muito bem, formação na área da medicina e das novas patologias, com base em tecnologias inovadoras e assente em simuladores que corrigem permanentemente a atuação do formando; trabalha com a classe médica atualizando competências, desenvolvendo novas formas de trabalho e de tratamento tanto a nível nacional, como internacional; permite-nos trabalhar com as empresas de outros setores, nomeadamente alimentar e tecnológico, para desenvolver de raiz novas tecnologias, novos technical devices, que possam vir a ser transferidos para o mercado para resolver problemas de saúde."

Traduzindo a atividade do Centro de Simulação Clínica mais para o plano da saúde humana, a diretora da FMCB descreveu que os formandos fazem cirurgias em "seres" humanos e "animais" de laboratório sem terem de recorrer a espécimes reais e que, por exemplo, realizam partos, cirurgias laparoscópicas ao coração e outras.

O software é programável, pelo que os formadores - geralmente observando a sala ocultos atrás de paredes de espelho, qual equipa de detetives - podem agravar o estado do doente, e "tudo pode acontecer: os "simuladores" engasgam-se, choram, transpiram" ou podem esvair-se em sangue, pelo que há que estar atento, agir depressa e bem. Daí a mais-valia do treino concedido, que oferece "ambiente de emergência médica e de cuidados intensivos."

Dinheiros do Algarve

Feitas as contas, todo este state of the art tecnológico custou, diz Hugo Barros, cerca de 1,5 milhões de euros, ainda que o investimento global para a instalação do parque e infraestrutura da sede do centro tenha ascendido aos 7 milhões euros.

"O programa CRESC Algarve 2020 foi fundamental na concretização do Centro de Simulação Clínica, que financiou 70% do investimento", explicou Hugo Barros. Ainda assim, o responsável do CRIA fez questão de salientar o papel de cooperação de todo o tecido algarvio para o financiamento desse projeto: "Temos um acordo de parceria com 36 entidades da região, públicas e privadas."

Hugo Barros, coordenador do CRIA - a Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlgarve.
Hugo Barros, coordenador do CRIA - a Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlgarve. FOTO: UALGTEC HEALTH

Inês Araújo conta que o Centro foi inaugurado no dia 1 de março de 2023, tem pouco mais de um semestre de vida, e já deu cerca de 400 formações, 115 das quais a nível pós-graduado - isto é, a médicos já formados para aprimorarem as suas competências. Agora prepara-se para acolher os seus primeiros alunos de um curso europeu de trauma e cirurgia.

"Já estamos a ser atrativos para as sociedades nacionais de especialidades médicas, que querem cá fazer formações, e internacionais", congratula-se a diretora da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas pelos primeiros passos do centro na senda da internacionalização.

Na sua opinião, pela localização e clima da região, pelo seu aeroporto internacional e o polo tecnológico avançado que possui, o Algarve tem tudo para se tornar opção de primeira linha a nível de especialização na Saúde e de aquisição de novas competências científicas.

Diário de Notícias
www.dn.pt