O dinheiro inteligente no dia a dia

  Como descomplicar o orçamento mensal da família e como fazer esticar o ordenado e/ou rendimentos até final do mês?
O dinheiro inteligente no dia a dia
D.R.
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Estas são dúvidas de fundo para um grande número de pessoas que por diversas razões têm o dinheiro contado e, possivelmente, nada sobra ou, no pior dos casos, ainda fica um “buraco”. Vamos tentar ajudar com soluções simples e despretensiosas. Mais. Independentemente de ter um rendimento baixo para as despesas que tem, ou ter um rendimento médio e superior às despesas, a elaboração de um orçamento mensal simples é uma peça de gestão da casa e que permite ver onde é possível poupar, ou é possível “esticar” o dinheiro disponível.

Tudo começa por um rendimento que pode ser fixo, via ordenado, subsídio da segurança social, ou património e, logo, pode ser um rendimento fixo ou em parte variável. Isto começa por ser relevante porque se há várias componentes, todas as despesas fixas devem concentrar-se naquilo que é o rendimento fixo, e todas as despesas que não são criticas para o mês devem entrar no rendimento variável, nomeadamente para quem trabalha com comissões. Já sobre as despesas, estas devem ser organizadas por importância: alimentação para o mês e medicamentos; crédito à habitação, condomínio e seguro de vida mensal; depois as despesas obrigatórias, caso do gás, eletricidade, água e telecomunicações, incluindo a parte residencial e o telemóvel; ainda as despesas obrigatórias com os filhos, caso de propinas, despesas extracurriculares, alimentação e, eventualmente, transportes.  Depois temos as despesas necessárias, mas que podem variar, como o vestuário para a família, entretenimento, viagens, restaurantes, combustíveis; e ainda as despesas obrigatórias que são semestrais ou anuais, caso do seguro do carro, seguro do condomínio, check-up médico, seguro de saúde.

 Na verdade, depois de elencarmos as despesas concluímos que há muitas despesas para a elaboração do orçamento familiar.

 Para nos ajudar, e caso não tenha conhecimentos mínimos de excel, existe uma série de plataformas. Aquilo que queremos é fazer um orçamento mensal de forma simples para, a partir daqui, conseguir redesenhar um plano para poupar algumas das despesas ou alocar os recursos de uma forma mais inteligente. E, para nos ajudar, temos a resposta em simuladores a que facilmente poderemos recorrer. O nosso preferido é o www.todoscontam.pt, da responsabilidade da ASF, do Banco de Portugal e da CMVM e integrado no Plano Nacional de Formação Financeira. Mas há muitos outros, caso do www.doutorfinancas.pt, da deco.proteste.pt, do www.idealista.pt; ou da www.gestlifes.com.

 Impostos descomplicados

Falemos agora de outra maneira de tornar o dinheiro “inteligente” via os impostos, uma obrigação de quem trabalha por contra própria ou por contra de outrem. A entrega do IRS não tem nada de complicado, pode fazê-lo via o portal das finanças (www.portaldasfinancas.pt) ou solicitar a um contabilista que o faça por si, embora neste caso possa envolver algum pagamento. Para que a entrada do IRS corra bem é preciso preparar, no ano anterior, um conjunto alargado de despesas de forma a otimizar o deve e o haver, e acabar o ano a receber alguma devolução. Antes de mais para se obter uma devolução de IRS é preciso fazer entregas ao longo do ano, ou através da retenção na folha do vencimento por parte da entidade patronal, ou através de entregas diretas nas Finanças para quem é trabalhador por conta de outrem. Quem não faz entregas, naturalmente nada terá a receber e, pode muito bem vir a ter de pagar o IRS.

 As entregas de declarações de 2026 relativas a 2025 foram feitas até junho e, logo, temos de preparar a entrega de IRS para 2027. É necessário recolher todas as despesas que se façam ao longo deste ano através de recibos, sendo relevante a saúde e onde se inclui tudo – muito embora algumas despesas como óculos e lentes graduadas obriguem a receita médica, tal como medicamentos que tenham o IVA de 23% também obriguem a receita médica. A par da saúde deve incluir as despesas de educação dos menores e encargos da educação, quer dos filhos ou dos próprios sujeitos ativos. É o caso de formações, especializações e outras vertentes da educação. Há também outras despesas onde pode ir buscar benefícios, como cabeleireiros, oficinas de mecânica, seguros de vida e saúde, passes sociais mensais, ou despesas com ascendentes, sendo que todas as outras despesas entram no capítulo de despesas gerais e podem dar alguma bonificação.

  Também as despesas com juros de habitação própria e permanente em contratos antigos dão benefícios. Isto significa que a simples despesa do combustível, do supermercado, da compra de roupa, as viagens e muitas outras atividades dão benefícios. Basta pedir a fatura com o número fiscal de contribuinte (NIF). E há um estatuto especial para os jovens com o IRS Jovem que dá benefícios excecionais, mas é preciso enquadrar-se. Como o nome indica é para jovens até aos 35 anos e que começaram a trabalhar. 

Os beneficiários têm isenção no 1º ano do IRS que deveriam pagar sobre os rendimentos do trabalho próprio ou por conta de outrem, caindo para 75% de isenção no 2º ao 4º ano de declarações, depois 50% de isenção do 5º ao 7º ano de declarações de IRS, e 25% nos dois últimos anos de isenções. Todos os anos o Orçamento de Estado define o teto máximo sobre o qual se aplicam as isenções do IRS Jovem, sendo que o valor relativo a 2026 é de 29.377,15 euros. Depois de tudo isto que passa a ser rotina, é preciso ir ao Portal das Finanças (www.portaldasfinancas.gov.pt), com a chave de acesso que as Finanças fornecem, para verificar se as despesas estão lá e, por vezes, responder a alguma pergunta, nomeadamente na área de saúde onde se questiona se tem, ou não, receita médica e, dessa forma, será classificado como saúde ou despesa geral.

Uma última nota: faça simulações de entrega como casado ou em declaração separada, para ver a melhor opção. Verifique na simulação se o englobamento de juros e rendas com o rendimento do trabalho é vantajoso, o que pode acontecer se tiver retenções elevadas. E, por último, não aceite o IRS automático que as Finanças oferecem sem verificar todos os anexos, ou se todo o agregado familiar está incluído, ou ainda se todas as deduções que juntou ao longo do ano estão refletidas no documento.

Atenção
Não aceite o IRS automático que as Finanças oferecem sem verificar todos os anexos, ou se todo o agregado familiar está incluído, ou ainda se todas as deduções que juntou ao longo do ano estão refletidas no documento

Poupança segura e inteligente

Queremos pensar na poupança segura e a primeira ideia que nos surge é a dos produtos do Estado e também dos convencionais depósitos a prazo. Estes últimos estão com taxas brutas médias abaixo da inflação, o que significa uma erosão do dinheiro poupado todos os anos. Têm a facilidade da liquidez, sendo que em alguns contratos é imposto um prazo mínimo para resgate, o que prejudica o aforrador em caso de necessidade de dinheiro imediato. É necessário ler a ficha técnica de cada produto financeiro, mesmo nos depósitos a prazo. Tem a proteção do Fundo de Garantia de Depósitos, que cobre estas poupanças até 100 mil euros por depositante e por entidade bancária, em caso de insolvência da instituição financeira. A alternativa, com um nível de segurança máximo, é os produtos financeiros do Estado.

Falamos dos Certificados de Aforro da Série F, que têm 42 mil milhões de euros em stock, e dos Certificados do Tesouro Série 5, e que são uma nova emissão disponível para subscrição. Os CTT têm sido o veículo mais popular para fazer este tipo de aforro. Essencialmente aquilo que o aforrador está a fazer é emprestar dinheiro ao Estado e, destacamos que deixámos de falar em investidor para falarmos em aforrador porque, essencialmente, o elemento especulativo desapareceu nestes produtos. Os Certificados de Aforro são títulos de dívida de longo prazo, com maturidade (tempo de vida) a 15 anos e juros capitalizáveis, ou seja, juros que se juntam ao capital e geram novos juros, sendo que os juros são revistos a cada três meses e pagos trimestralmente, se for o desejo do subscritor.

A adesão começa nos 100 euros e o resgate pode ser pedido após os primeiros três meses de subscrição. Há um prémio de permanência a partir do 2º ano. Os Certificados do Tesouro têm igualmente capital garantido, mas a subscrição começa nos mil euros. Têm uma vida de 10 anos e taxas de juro fixas e crescentes, começando nos 2,35% e subindo até 3,35% no último ano, com pagamento anual de juros. A remuneração média anual é de 2,71% bruta. Relevante que o resgate, ou seja, o levantamento do dinheiro aplicado, só possa ser feito um ano após a data-valor de subscrição, sendo que depois dessa data pode ser pedido o resgate total ou parcial dos fundos. Uma nota particular: as rendibilidades líquidas ao longo do tempo poderão ficar longe da erosão do dinheiro provocada pela inflação.

Inteligente é pensar num PPR ou Planos Poupança Reforma. Podem ser adquiridos nos bancos, através de fundos de investimento ou em seguradores. Importante é o perfil de risco que se quer assumir. De forma simples os Seguros PPR são geridos por companhias de seguros, sendo que o capital investido tem garantia e, alguns, assumem uma rentabilidade mínima. O perfil de risco é conservador e destinam-se a quem está nos últimos cinco anos de vida ativa. Há uma exceção nos seguros em que há risco e que se aplicam nos unik-linked, instrumentos ligados a fundos de investimento, com risco e para perfil dinâmico, mas será uma matéria para outro tema sobre Finanças Pessoais. Para um perfil em que o investidor assume algum risco, a regra é optar por Fundos PPR que são geridos por gestoras de fundos de investimento e que são representados por unidades de participação, sendo que estes PPR’s não têm garantia de capital, nem de rentabilidade, mas tradicionalmente o resultado é superior aos seguros PPR, já que investem em ações, obrigações e outros instrumentos de risco.

São recomendados para investimento no longo prazo, preferencialmente entre os 10 e os 20 anos de maturidade. A escolha destes vários instrumentos pode ser feita no Comparador de PPR da ASF (www.asf.com.pt/w/ni_comparadorppr) para o caso dos seguros, e na Lista de PPR da CMVM para os fundos de investimento (investidor.cmvm.pt/pinvestidor/PPRList). Estes investimentos têm benefícios fiscais à entrada e à saída, ou seja, quando são resgatados. E, em certas circunstâncias, podem ser resgatados antecipadamente.

*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo Dinheiro Vivo com total independência editorial. Conheça as regras do DN relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros.

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