O exemplo das empresas familiares

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Tive recentemente oportunidade de estar na inauguração das instalações da Garcia @ Garcia, uma empresa familiar na área de projeto e construção que é um exemplo claro de aposta na inovação e qualidade como fatores estratégicos para a criação de valor para o futuro. Uma empresa localizada em pleno Vale do Ave, muito ligado à dinâmica industrial desta importante região do país. Aqui, as novas gerações tiveram uma visão de gestão muito prática e centrada na valorização das variáveis centrais para o sucesso - aposta nas pessoas, qualidade do serviço, dinamização de redes de parceria e focalização no investimento inteligente - e no estrangeiro - como driver de inovação competitiva. Um exemplo claro de que as empresas familiares podem e devem ser um bom exemplo do modelo de gestão para o futuro que temos pela frente.

As empresas familiares - de que temos inúmeros exemplos no nosso país - têm sido objeto de profunda análise e discussão nos últimos tempos, em múltiplas dimensões, com particular destaque para o tema, sempre muito polémico, da separação entre o capital e a gestão e a necessidade de saber profissionalizar a condução dos negócios e, desta forma, assegurar a sua continuidade com sucesso, num contexto global cada vez mais competitivo e exigente. Esse é um tema importante, que tem como base a situação de muitas empresas, sobretudo de média dimensão, de diferentes setores um pouco por todo o país, mas que não deve esconder a verdadeira realidade que se prende com o imperativo de saber ter uma visão estratégica e de valorizar os recursos disponíveis da melhor forma possível. A Garcia @ Garcia é um bom exemplo desta aposta que se pretende clara.

Os rankings internacionais na área da avaliação da qualidade de gestão continuam a colocar o nosso país num patamar ainda muito baixo e é consensual que, em muitas organizações, se impõe um verdadeiro choque de gestão, focado numa melhor atenção para a cadeia de valor dos negócios e para uma mobilização estratégica das equipas de trabalho e dos parceiros, num verdadeiro contrato estratégico voltado para o futuro. Tem sido esta a mensagem de muitos especialistas nesta área e as próprias business schools têm apostado a sua carteira de formação neste tópico. Importa, contudo, destacar que, a nível das novas gerações - e esta empresa que referimos é um belíssimo exemplo -, temos assistido a cada vez mais exemplos de qualificação dos próprios membros da família, detentora do capital da empresa, para uma resposta mais adequada aos desafios exigentes que o mundo dos negócios hoje suscitam.

As empresas familiares têm e continuarão a ter um papel importante na nossa economia. Porque representam um histórico de afirmação competitiva de saber fazer em várias áreas e fileiras, porque têm um papel central na promoção de emprego e riqueza um pouco por todo o país e porque são, em muitos casos, a base da presença da nossa economia nos mercados internacionais. Nesse sentido, a aposta numa gestão estratégica inteligente e na mobilização das novas gerações - em articulação naturalmente com as mais velhas - para um verdadeiro contrato de confiança, assente na criação e sustentação de um verdadeiro valor partilhado, será sem dúvida um grande desígnio para os próximos tempos.

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