As pessoas são o fator crítico para qualquer organização e, de uma forma mais ampla, para a estratégia de desenvolvimento da economia, da sociedade e dos territórios.
Reconhecidamente, a demografia é um dos principais desafios que temos pela frente. Por isso, é fundamental o foco nas pessoas, na valorização das suas competências, no abrir de horizontes e de oportunidades, no despertar das vontades dos jovens e na sua capacitação para aspetos fundamentais como a resiliência, incluindo a capacidade de antecipar problemas e mesmo lidar com algum insucesso.
É importante estimular o network entre empreendedores (interagir, partilhar experiências e conhecimento) e sensibilizá-los para os desafios da economia e ainda os desafios societais. Tem também especial relevância a capacitação ao nível do seu relacionamento com diferentes stakeholders. Trata-se de um conjunto de competências - as chamadas soft skills - que assumem atualmente uma importância acrescida, sendo um fator crítico de sucesso.
Foi a pensar na capacitação dos empreendedores, por forma a contribuir para que os desafios que a economia e o país enfrentam possam ser superados com sucesso, que a AEP lançou recentemente o Desafios 5.0, um programa que promove o espírito empresarial do Norte e Centro do país, onde se concentra mais de metade do tecido empresarial. E fá-lo de uma forma muito pragmática, através de ações que informam e capacitam jovens empreendedores, por forma a assegurar a geração de ideias inovadoras e a promover o empreendedorismo qualificado e criativo. Capacita o empreendedor a trabalhar a ideia, no sentido de a pôr em prática, isto é, de a transformar num negócio. Estimula o match entre, por um lado, jovens empreendedores (por natureza, mais irreverentes, cheios de energia, de ideias e de boa vontade) e, por outro, empresários mais maduros e mais experientes, seguramente num relacionamento com características "win-win".
Por todas estas características e pela forma como se atua na valorização das pessoas, do seu espírito empreendedor e das suas competências, é importante que o Portugal 2030 venha a apoiar iniciativas como esta, tornando viável aquilo que, numa primeira fase, é apenas uma ideia, mas que poderá ser um excelente negócio.
Igualmente importante é a atração e retenção dos jovens empreendedores no nosso território, um foco que as políticas públicas também não podem, nem devem, negligenciar.
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)