O Novo Capital

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Há 15 anos lancei o meu primeiro livro O Novo Capital. Esta pandemia, com todas as suas consequências económicas e sociais, veio trazer de novo para a agenda coletiva a necessidade de discutir a pertinência de apostar num Novo Capital. O modelo tradicional de criação de valor mudou por completo e nesta fase crítica da economia portuguesa a aposta tem que ser clara - apoiar novas Empresas, de preferência de base tecnológica, assentes numa forte articulação com centros de competência e capazes de ganhar dimensão global. Ganhar o desafio de um Portugal Empreendedor é em grande medida a demonstração da capacidade de uma nova agenda, assente na inovação, conhecimento e criatividade como factores que fazem a diferença, numa ampla base colaborativa e participativa. A base de um Novo Capital numa Nova Economia.

Cabe às empresas o papel central na criação de riqueza e promoção duma cultura sustentada de geração de valor, numa lógica de articulação permanente com Universidades, Centros I&D e outros actores relevantes. São por isso as empresas essenciais na tarefa de endogeneização de ativos de capital empreendedor com efeito social estruturante e a leitura da sua prática operativa deverá constituir um exercício de profunda exigência em termos de análise. Tendo sido as empresas um dos actores fortemente envolvidos nas dinâmicas de financiamento comunitário ao longo destes últimos vinte anos ressaltam indícios de défice de capital empresarial em muitos dos protagonistas envolvidos. Torna-se por isso imperativo apostar numa agenda de mudança.

Importa construir uma matriz de reorganização operativa das empresas nacionais. Endogeneizar dinâmicas de inovação proativa em articulação com o mercado, geradora de novos produtos e serviços; reforçar a responsabilidade individual do empresário enquanto agente socialmente responsável pela criação de riqueza; fazer do trabalhador um empreendedor ativo consciente do seu papel positivo na organização; fazer da empresa um espaço permanente de procura da criatividade e do valor transaccionável nos mercados internacionais; consolidar uma cultura de cooperação ativa entre empresas nacionais e internacionais, pequenas e grandes, fazendo da competição positiva o grande instrumento de selecção da excelência centrado no conhecimento.

A aposta em novas ideias empresariais constitui um compromisso de mudança. Tem que assentar numa verdadeira dimensão colaborativa de mobilização dos atores da mudança (empresários, académicos, empreendedores) para uma ação de base coletiva de reinvenção estratégica da base competitiva nacional. Trata-se dum contributo que se pretende possa ter efeitos de alavancagem na percepção da necessidade de reinventar a economia nacional. Pretende-se consolidar uma ideia de marca, solidificar as bases de um projecto, protagonizar novas soluções com novas respostas para questões que teimam em ser as mesmas de há muito tempo a esta parte. As novas ideias empresariais são a nova resposta para as perguntas que hoje existem na sociedade portuguesa.

Impõe-se mais do que nunca o desenvolvimento de uma agenda operacional para um Novo Capital no nosso país. A situação de rutura sem precedentes a que se assiste no tecido empresarial - com particular evidência para as PME - determina que a aposta neste Novo Capital assuma o seu verdadeiro papel de operador de modernização estratégica das empresas. Precisamos com urgência de uma estrutura muito eficaz nas decisões tomadas e com mecanismos rigorosos mas justos de intervenção nas organizações. A economia dum país é em grande medida a arquitetura das suas empresas e a subida na escala de valor, com a inserção em redes internacionais e a incorporação de novas soluções de inovação de processos é um imperativo. Precisamos por isso de uma verdadeira aposta num Novo Capital.

* Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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