O que está a mudar no crédito habitação?

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A partir do próximo dia 1 de abril vão entrar em vigor novas recomendações macroprudenciais do Banco de Portugal e que vão resultar num encurtar dos prazos do crédito habitação. É certo que este não é um tema novo e que o Banco de Portugal já tinha anunciado em 2018 como objetivo que até ao final de 2022 a maturidade média dos novos contratos de crédito habitação se aproximasse dos 30 anos. Mas, com esta nova recomendação, o prazo máximo de 40 anos no crédito habitação só poderá ser contratado por pessoas com idade igual ou inferior a 30 anos, descendo o prazo máximo para os 35 anos para pessoas com idades iguais ou superiores a 35 anos, o que terá impactos mais imediatos.

Contudo, tal não é necessariamente negativo. Na hora de contratar um crédito habitação é natural haver a tentação de alargar ao máximo o prazo para que a prestação seja o mais baixa possível. No entanto, se se fizer as contas aos juros, facilmente se percebe que para pagar menos uns euros por mês na prestação, se pode acabar a pagar bastantes mais euros no final do empréstimo. Portanto, se o objetivo é poupar no crédito habitação, optar por um prazo mais curto, desde que se tenha condições para cumprir com uma prestação mais alta, é uma boa estratégia.

Mas para além desse, há outros aspetos do crédito habitação que estão a mudar e que quem pretende comprar casa nos próximos tempos deve ter em conta. A sustentabilidade, por exemplo, é outro tema na ordem do dia, tendo em conta a crise climática que enfrentamos atualmente. E, sendo a casa um dos espaços em que mais se consome energia, é fundamental que esse seja um elemento a ter em conta quando se compra uma nova e que o mercado ofereça soluções de crédito habitação green, para que quem quer comprar casas com elevado nível de eficiência energética o passa fazer com condições mais vantajosas.

Outra das exigências do mercado atual é a digitalização, em que soluções de, por exemplo, verificação digital da identidade, assinatura digital de documentação e acesso digital a documentação, têm, cada vez mais, fazer parte dos processos de crédito habitação. Esta transformação digital pode contribuir também para um serviço mais personalizado, já que o processo de compra de casa vai muito além da aprovação do crédito habitação. O consultor terá por isso cada vez mais de se ajustar à disponibilidade do cliente, seja em termos de horário ou de local, e não o contrário, como tem sido prática da banca tradicional.

E esse foco no cliente, na sua liberdade e necessidades, implica também repensar modelos de crédito habitação em que, para obter melhorias no spread, se propõe a contratação de produtos bancários adicionais. No meio de um processo que já exige tanto do cliente como o crédito habitação, não faz sentido complicar ainda mais, acrescentando mais informações e mais decisões, que vão exigir também mais tempo. Centrar a conversa no crédito habitação, que é o que interessa de facto ao cliente. E além disso, o cliente fica amarrado a esses produtos, porque ao fazer depender deles as condições do financiamento sujeita-se a não poder cancelá-los a qualquer momento sem que isso tenha implicações no seu empréstimo.

Além disso, hoje em dia, faz cada vez menos sentido ter de trocar de banco ou abrir uma segunda conta - com todos os custos que lhe estão associados - para ter acesso a um crédito habitação, quando pode perfeitamente ter a sua conta habitual e pagar através dela o crédito habitação, mesmo que contratado a outra entidade.

De facto, há uma maior possibilidade de escolha e facilidade processual para quem precisa de contratar crédito habitação para comprar casa, o que significa o mínimo de mudança e o máximo de liberdade de escolha possível. Tudo para que o momento de comprar casa se torne num momento memorável e que contribua para uma efetiva melhoria da qualidade de vida.

Pedro Megre, CEO da UCI Portugal

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