"Sofá grande com arrumação", lia-se junto à
fotografia que revelava um sofá dos anos 60. Preço: 25 euros,
referia o anúncio online, com a indicação preciosa "negociável".
Estudada a dimensão - cerca de dois metros capazes de acomodar seis
pessoas - e calculada a despesa de transporte, mais um novo tecido
para o lugar da napa amarela envelhecida, atirei a contraproposta: 15
euros. Tudo via e-mail. No dia seguinte tinha resposta do senhor
anunciante: "Aceito!", com ponto de exclamação e tudo.
Marcámos o dia para a entrega e pagamento. Segunda-feira, às 15h00,
em Oeiras, finalizou-se o negócio.
Há uma semana, tinha entrevistado o fundador da empresa que detém
que dizia Miguel Mascarenhas: "Há cada vez mais portugueses a
olhar para o que já não precisam como uma forma de fazer algum
dinheiro extra." E ao mesmo tempo "surgiram os
smartshoppers, a pensar em como podem comprar por metade ou por um
terço do preço algo que ainda satisfaz as necessidades".
É a partir destes dois movimentos que se explica o sucesso do
OLX, que cresceu cerca de 100% em seis meses. O site de classificados
é detido pela Naspers, grupo sul-africano com presença em 90
países, que entrou no capital da FixeAds, fundada por Miguel
Mascarenhas, que detém o Standvirtual, o Imovirtual e o Coisas.com -
que agregou o Leilões.net e incorporou ofertas de emprego, com uma
newsletter diária de emprego e a possibilidade de envio do currículo
com a candidatura.
Com uma média de 175 mil novos anúncios por semana e 71 milhões
de visualizações, a secção de emprego do OLX é a quarta mais
vista do portal em Portugal, depois dos apartamentos, animais
domésticos e carros e motos. E tudo graças à publicidade criada
pela J. Walter Thompson, assente na ideia "Tem muito mais
dinheiro em casa do que imagina" - com adaptação do tema de
Lena d'Água Olha o Robot. De resto, foi só "deixar funcionar o
boca-a-boca, que cresceu com a confiança das pessoas", diz
Miguel Mascarenhas. No final, o OLX ajudou a que a FixeAds faturasse
3,2 milhões de euros, em 2012. A perspetiva é que continue a
crescer 10% ao ano.
Ver aqui entrevista completa de Miguel Mascarenhas.