A fronteira da tecnologia

Francisco Jaime Quesado

Economista e Gestor. Presidente da APM - Associação Portuguesa de Management

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A propósito de mais uma Conferência do CEIIA, desta vez com a CEO da Siemens Portugal Sofia Tenreiro, uma breve reflexão sobre a importância da tecnologia na nossa economia e sociedade. Desde que a tecnologia – e em particular a IA – passou a estar presente no nosso dia a dia, a economia passou a ser confrontada com uma agenda de valor cada vez mais competitiva e global e a sociedade com a necessidade de fazer um compromisso permanente entre o acesso a uma informação sempre disponível e a preservação dum espaço privado sempre importante.

A construção duma Sociedade Tecnológica  é um desafio complexo e transversal a todos os atores e exige um capital de compromisso colaborativo entre todos. Com a Tecnologia a nossa sociedade mudou muito e o grau de liberdade de participação das pessoas ganhou uma dimensão nunca antes possível – a informação passou a estar disponível a todo o momento e a ser a base de novas plataformas de inteligência estratégica, dinamizadoras de novas redes de colaboração e de novas soluções para os novos problemas que surgiram. A tecnologia veio acelerar a capacidade e ritmo de execução num contexto de competência cada vez mais exigente.

Apesar do enorme progresso registado com a tecnologia, os sinais empíricos evidenciam uma leitura menos positiva do comportamento de muitas sociedades em termos dos requisitos que a inovação e a criatividade implicam. A consolidação duma Sociedade Tecnológica moderna  implica, antes de mais, saber responder às seguintes questões:

    – qual o caminho a dar à Tecnologia e em particular à IA enquanto instrumentos centrais duma política ativa de intervenção pública como matriz transversal da renovação da nossa sociedade?

     – qual a forma possível de fazer das empresas (e em particular das PME) os atores relevantes na criação e valor e garantia de padrões de qualidade e vida social adequados, num cenário de crescente “deslocalização” económica? 

     – qual o papel efetivo da Educação como quadro referencial essencial da adequação dos atores sociais aos novos desafios da sociedade do conhecimento? Como conciliar daqui para a frente Educação e IA? 

     – qual o papel da Ciência enquanto área capaz de fazer o compromisso necessário entre a urgência da tecnologia e a inevitabilidade da sua mais do que necessária aplicabilidade prática para efeitos de indução duma cultura estruturada de inovação? 

      – qual o sentido efetivo das políticas de empregabilidade e inclusão social enquanto instrumentos  de promoção dum objectivo global de coesão social? O que fazer de todos os que, pelo desemprego, se sentem cada vez mais marginalizados pelo sistema? 

A Tecnologia faz parte deste novo tempo que estamos a viver. Nunca como agora foi tão importante termos uma Agenda Tecnológica inclusiva e integradora, que seja um verdadeiro operador de modernidade e de construção do futuro que já é hoje.

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