A resiliência também se mede em graus
As temperaturas extremas, que ameaçam populações e empresas, são uma realidade que deixou de ser excecional. As ondas de calor são, hoje, um grande desafio económico e social que Portugal (e não só) enfrenta.
O calor extremo tende a provocar um aumento da mortalidade, agrava doenças, afeta especialmente idosos e pessoas mais vulneráveis e coloca os trabalhadores perante riscos acrescidos de exaustão térmica, aumentando a probabilidade de acidentes laborais. Esta é, antes de mais, uma questão de saúde pública e de dignidade humana.
As alterações climáticas estão igualmente a transformar as condições em que a economia funciona. É um fator de risco, cada vez mais estrutural, que exige adaptação permanente, e Portugal reúne várias características que aumentam a sua vulnerabilidade, nomeadamente um tecido empresarial maioritariamente constituído por empresas de menor dimensão, frequentemente com menor capacidade financeira para investir em medidas de adaptação.
Muitos edifícios industriais, comerciais e habitacionais foram concebidos para um clima bastante diferente daquele que hoje enfrentamos. As empresas defrontam custos crescentes com climatização, refrigeração, manutenção de equipamentos e consumo energético, que pressiona, ainda mais, as suas estruturas de custos. Simultaneamente, multiplicam-se as interrupções operacionais provocadas pela degradação de infraestruturas, constrangimentos no abastecimento de água, limitações das redes elétricas ou perturbações nas cadeias logísticas.
Estamos perante necessidades acrescidas de uma tipologia de investimento – em resiliência –, que nem sempre aumenta imediatamente a capacidade produtiva, mas será determinante para proteger as pessoas, preservar a produtividade e assegurar a continuidade da atividade económica.
As empresas terão, inevitavelmente, de canalizar recursos para adaptar edifícios, equipamentos, processos produtivos e formas de organização do trabalho a uma realidade climática mais exigente, que veio para ficar. Prepararmo-nos para ela significará proteger vidas, preservar emprego e reforçar a produtividade e competitividade.
Prevenir e adaptar não é um custo ambiental é uma condição de competitividade e as políticas públicas devem assumir um papel decisivo para apoiar, com rapidez e eficácia, o investimento na capacidade de resiliência. Não será por acaso que o termo “resiliência” surge na designação de dois programas nacionais: o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
