Análise Bolsista. Crise francesa ameaça mercados europeus
As tensões no Médio Oriente continuaram a guiar os mercados esta semana. O barril de Brent ultrapassou os 112 dólares e atingiu máximos de cinco meses. Os novos ataques contra infraestruturas energéticas sauditas e os incidentes com embarcações no Golfo Pérsico reforçaram os receios de perturbações no abastecimento. O encarecimento da energia continua a ser um dos principais fatores a afetar os mercados, ao alimentar a inflação, penalizar as perspetivas de crescimento e reforçar o risco de taxas de juro elevadas durante mais tempo.
Nos EUA, os resultados empresariais estiveram em destaque. As receitas da Meta e a revisão em alta das previsões da Super Micro Computer mostraram que a procura associada à Inteligência Artificial permanece robusta. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a dimensão dos investimentos e a capacidade de gerar retornos sustentáveis. Após a queda de 5,5% na semana anterior, o Nasdaq revelou dificuldades em sustentar os ganhos registados na primeira metade da semana.
Na Europa, o foco esteve nos protestos em vários países contra o elevado custo da habitação, a perda de poder de compra, os baixos salários e a falta de investimento nos serviços públicos. O destaque vai para a França, onde as dificuldades orçamentais e a instabilidade política e social agravaram a pressão sobre a dívida soberana. A yield das obrigações a dez anos ultrapassou os 5% e o diferencial face à Alemanha atingiu máximos de 15 anos. A situação francesa tornou-se um dos principais riscos para os mercados europeus, com sinais de contágio à dívida de outros países.
A agenda de sexta-feira inclui as estimativas preliminares dos índices PMI de outubro para a indústria transformadora e os serviços na Europa e nos Estados Unidos. Espera-se um ligeiro abrandamento, mas dados mais fortes, sobretudo se acompanhados de pressões nos preços, poderão reforçar os receios de novas subidas dos juros e pressionar os ativos de risco. Uma deterioração mais acentuada da atividade poderá, por sua vez, agravar as preocupações com o crescimento.
