Análise bolsista. Petróleo e juros altos: a dupla ameaça aos mercados

Henrique Valente

Analista da ActivTrades Europe

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A semana ficou marcada pela retoma dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão, num conflito que continua sem uma solução à vista. A nova escalada voltou a reduzir o tráfego através do Estreito de Ormuz e aumentou os receios de novas perturbações no abastecimento de energia.

O petróleo Brent acumulou uma valorização próxima de 10% e aproximou-se dos 97 dólares por barril, atingindo o nível mais elevado das últimas seis semanas. A subida do petróleo intensificou os receios de inflação e provocou uma venda generalizada de obrigações.

As yields dos Títulos do Tesouro norte-americano a dez anos aproximaram-se de 4,80%, enquanto as yields das obrigações japonesas com a mesma maturidade ultrapassaram 3% pela primeira vez desde 1996. As yields alemãs, francesas e britânicas também atingiram máximos de vários anos.

Além do aumento dos preços da energia, o mercado obrigacionista continuou pressionado pelo crescimento da dívida pública e pelas perspetivas de uma política monetária mais restritiva. A reação das bolsas foi relativamente contida.

Os principais índices norte-americanos recuaram no início da semana, mas recuperaram parcialmente na quarta-feira, sem que se verificasse um movimento mais acentuado de aversão ao risco. No entanto, a subida das yields e dos preços da energia continuou a penalizar sobretudo as empresas tecnológicas e outros setores mais sensíveis às taxas de juro. Na Europa, o STOXX 600 caiu durante três sessões consecutivas e atingiu o nível mais baixo do último mês, antes de registar uma ligeira recuperação.

A semana começou ainda sob o efeito das declarações de Kevin Warsh em Jackson Hole, que foram mais duras do que os investidores antecipavam. O presidente da Reserva Federal reforçou o compromisso com o objetivo de inflação de 2% e admitiu implicitamente que poderão ser necessárias novas subidas das taxas de juro. Em conjunto com o aumento dos preços da energia, estas declarações elevaram de cerca de 35% para aproximadamente 60% a probabilidade atribuída pelo mercado a uma subida das taxas de juro já em setembro.

Apesar de defender uma comunicação mais contida por parte do banco central, as declarações de Warsh continuam a ter um impacto significativo nos mercados. Ao mesmo tempo, a menor utilização de forward guidance está a aumentar a importância dos dados económicos na formação das expectativas dos investidores. Caso as expectativas permaneçam divididas até à reunião, a decisão poderá provocar uma reação mais acentuada do que aquela a que os investidores se habituaram nos últimos anos.

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