Análise bolsista. Petróleo volta a dominar mercados
A subida do petróleo voltou a dominar os mercados esta semana. O Brent ultrapassou os 100 dólares por barril, perante a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão e os receios de novas perturbações no abastecimento através do Golfo.
O aumento dos custos da energia reacendeu as preocupações com a inflação e reforçou a possibilidade de os bancos centrais manterem uma política monetária mais restritiva durante mais tempo. Esta perspetiva contribuiu para uma subida generalizada das yields das obrigações soberanas, agravando os custos de financiamento e pressionando os ativos de risco.
Nos Estados Unidos, o anúncio de uma recompra de até 6 mil milhões de dólares em Obrigações do Tesouro de longo prazo foi incapaz de travar o movimento. A operação procurava melhorar a liquidez em segmentos menos negociados do mercado, mas não alterou as preocupações mais amplas com a inflação, as taxas de juro e as necessidades de financiamento do governo norte-americano.
Na Europa, o BCE subiu a taxa de depósito em 25 pontos base, para 2,50%, numa decisão amplamente antecipada. O aumento reflete a renovada preocupação com a inflação, num momento em que o banco central procura avaliar até que ponto o choque energético poderá transmitir-se aos restantes preços. O desafio passa agora por controlar essas pressões sem agravar excessivamente o abrandamento da economia da Zona Euro.
A semana termina ainda com a divulgação do índice de preços no consumidor dos Estados Unidos. O relatório será acompanhado com particular atenção, uma vez que poderá influenciar as expectativas para a decisão da Reserva Federal na próxima semana. Esta combinação entre petróleo mais caro, inflação persistente e yields elevadas deverá continuar a condicionar o sentimento dos mercados.
