Análise de mercado. Emprego marca semana
Os dados do mercado laboral norte-americano surpreenderam pela negativa e alteraram a leitura dos investidores sobre a trajetória da política monetária nos EUA.
Em junho, a economia norte-americana criou apenas 57.000 empregos, muito abaixo dos cerca de 110.000 esperados. Além disso, os dois meses anteriores foram revistos em baixa: abril passou de +179.000 para +148.000 e maio de +172.000 para +129.000, menos 74.000 empregos do que inicialmente reportado.
A criação de emprego continua positiva, mas está claramente a perder força, numa altura em que os investidores avaliavam se a resiliência da economia norte-americana poderia justificar uma postura mais agressiva por parte da Reserva Federal.
A taxa de desemprego desceu ligeiramente para 4,2%, face aos 4,3% esperados, mas esta descida é parcialmente explicada pela queda da taxa de participação, que recuou para 61,5%. A taxa de participação mede a percentagem da população em idade ativa que está empregada ou à procura de emprego.
Quando esta taxa desce, significa que há menos pessoas disponíveis no mercado de trabalho. Neste caso, a força de trabalho diminuiu em cerca de 720.000 pessoas, pelo que parte da descida do desemprego resultou não de uma melhoria real nas contratações, mas de uma redução do número de pessoas consideradas ativas no mercado laboral.
Os salários mantiveram um crescimento moderado e tiveram menor peso na reação inicial. A conclusão inicial é de que o mercado laboral norte-americano está a mostrar sinais de arrefecimento mais fortes do que o esperado.
Os mercados reagiram de forma positiva a esta surpresa. O índice do dólar norte-americano, que mede o desempenho da moeda face a um cabaz das principais divisas, caiu cerca de 0,60%, refletindo uma redução das expectativas de uma política monetária mais restritiva.
A queda do dólar favoreceu ativos cotados na moeda norte-americana, incluindo o ouro. Nas bolsas, a reação também foi positiva. O S&P 500 subiu cerca de 0,50%, enquanto o Nasdaq avançou perto de 1%, beneficiando da descida das yields e da perspetiva de uma Fed menos pressionada a subir juros no curto prazo. O mercado vinha a incorporar a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro nos EUA, num contexto de inflação persistente e incerteza geopolítica. No entanto, este relatório veio moderar essas expectativas, pelo menos temporariamente.
