Análise de mercado. ‘Fed’ estável, petróleo alto e ‘tech’ em pressão
Esta foi uma semana importante para o índice americano Nasdaq, já que várias empresas tecnológicas publicaram resultados. O índice manteve-se próximo dos máximos esta semana, mas uma notícia relacionada com a OpenAI renovou o ceticismo dos investidores acerca do retorno sobre o investimento em IA.
A empresa falhou as metas que tinha estabelecido de receitas e crescimento de utilizadores, e o ceticismo alastrou-se a empresas do ecossistema como Oracle, Broadcom, AMD e Nvidia, que recuaram em bolsa. Do lado dos resultados, Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet reportaram esta semana, com a Apple a fechar o ciclo na quinta-feira.
Os investidores procuraram sobretudo confirmação de que o investimento massivo em Inteligência Artificial se está a traduzir em crescimento real de receitas e lucros. A atenção recaiu, em particular, sobre os negócios de cloud e publicidade, que são o principal termómetro da monetização de IA, e sobre as perspetivas apresentadas pelas empresas para os próximos trimestres.
Este escrutínio faz sentido quando se olha para os números de investimento previstos para 2026. Este ano, os quatro grandes grupos tecnológicos preveem investir, em conjunto, perto de 600 mil milhões de dólares em infraestrutura de IA.
A Microsoft quase duplicou o seu capex face ao ano anterior, e os restantes – Meta, Alphabet e Amazon – comprometeram- se individualmente com valores entre 115 e 200 mil milhões de dólares. São compromissos que os investidores têm como ponto de referência para avaliar se o negócio está a crescer a um ritmo que os justifique.
A semana ficou também marcada pela decisão da Reserva Federal (Fed), que manteve as taxas de juro inalteradas no intervalo de 3,50%-3,75%, em linha com o que o mercado esperava. O contexto, porém, é de desconforto.
O preço do petróleo está a negociar próximo dos máximos históricos, o conflito no Médio Oriente mantém-se sem resolução à vista, e a Fed reviu em alta as suas projeções de inflação para 2026.
O mandato de Jerome Powell termina em maio, e a entrada de um novo presidente na Fed será acompanhada de perto pelo mercado. Neste enquadramento, a margem para cortes de taxas permanece limitada, o que continua a ser um fator de pressão para ativos de crescimento e para o setor tecnológico em particular.
