Análise de Mercado. Fed mostra convicção e mercados respiram de alívio
Na quarta-feira, a Reserva Federal subiu as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo de 3,75%-4,00%, conforme antecipado pelo mercado. A decisão foi unânime. Na conferência de imprensa, Kevin Warsh reiterou a necessidade de uma política monetária mais restritiva para trazer a inflação de volta ao objetivo de 2%.
A persistência da inflação e a resiliência da economia sustentaram a decisão: a procura interna mantém-se sólida, o crescimento da produtividade é forte, o investimento é robusto e o mercado de trabalho permanece estável. Warsh apontou ainda os preços da energia, a maior procura de financiamento e a força da economia como fatores que ajudam a explicar a subida das yields da dívida norte-americana de longo prazo.
As projeções dos responsáveis da Fed reforçaram a expectativa de novas subidas até ao final do ano. A maioria antecipa pelo menos mais uma subida de 25 pontos base este ano, e alguns admitem uma segunda subida, o que elevaria o total acumulado a 50 pontos base. A inflação só deverá regressar ao objetivo de 2% em 2029. A confirmar-se este cenário, serão oito anos consecutivos em que a inflação anual permanece acima da meta, entre 2021 e 2028.
A próxima decisão será anunciada a 28 de outubro, seis dias antes das eleições intercalares norte-americanas, uma proximidade que poderá aumentar o escrutínio político sobre a atuação do banco central.
A reação dos mercados foi, de um modo geral, favorável. Desde a decisão, as bolsas recuperaram e as yields de longo prazo aliviaram. Já as yields de curto prazo subiram, refletindo a expectativa de novas subidas dos juros.
O índice do dólar registou uma valorização de cerca de 0,7% na sessão de quinta-feira. Esta evolução sugere que a Fed terá reforçado a confiança no seu compromisso com o controlo da inflação, embora o recuo do petróleo também tenha contribuído para a melhoria do sentimento.
A decisão surge depois da subida dos juros pelo BCE e reflete uma preocupação global com a persistência da inflação e as pressões dos preços da energia. A grande questão é até que ponto a contenção da procura consegue compensar um choque na oferta de energia sem provocar uma deterioração significativa da atividade económica. Os juros não resolvem a escassez de energia, mas podem limitar a propagação da subida dos seus preços ao resto da economia.
