Análise de mercado. O Preço do Futuro: IA, inflação e geopolítica
A semana ficou marcada pela publicação dos resultados trimestrais da Nvidia, pelos dados da inflação PCE nos Estados Unidos e pela entrada do conflito no Médio Oriente numa fase de maior pressão económica entre Washington e Teerão.
Os principais índices registaram movimentos contidos, enquanto os investidores aguardavam pelo discurso de Kevin Warsh, em Jackson Hole. A Nvidia voltou a superar as expectativas do mercado. As receitas mais do que duplicaram face ao ano anterior, atingindo 96,2 mil milhões de dólares, enquanto o segmento de centros de dados cresceu 117%, para 89 mil milhões. A empresa prevê um crescimento de 70% no próximo ano fiscal, muito acima do esperado pelos analistas.
Os resultados confirmaram a força da procura ligada à Inteligência Artificial, mas não eliminaram as dúvidas sobre se os elevados investimentos em IA irão gerar retornos suficientes para justificar as atuais avaliações do setor tecnológico.
Nos Estados Unidos, o índice PCE registou uma subida homóloga de 3,7% em julho, enquanto a inflação subjacente permaneceu nos 3,3%. Os dados confirmaram que as pressões inflacionistas continuam elevadas e que o regresso à meta de 2% permanece distante. Ainda assim, os investidores continuam a apostar na manutenção das taxas de juro pela Fed em setembro, enquanto as yields e o dólar avançaram moderadamente.
O discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole deverá ter um impacto limitado. O presidente da Reserva Federal prefere uma menor utilização de indicações sobre o rumo futuro da política monetária, pelo que deverá reafirmar o compromisso de controlar a inflação sem se vincular antecipadamente a uma decisão.
No Médio Oriente, os Estados Unidos passaram a privilegiar as sanções e a pressão sobre os parceiros comerciais do Irão, numa tentativa de forçar a reabertura do Estreito de Ormuz. Esta abordagem foi considerada menos arriscada para a oferta de petróleo do que uma nova escalada militar, contribuindo para a descida do Brent.
As negociações entre o Irão e Omã também alimentaram a expectativa de uma recuperação do tráfego marítimo. Ainda assim, a circulação através do estreito permanece bastante abaixo dos níveis anteriores à guerra. Novos ataques contra navios ou infraestruturas energéticas poderão voltar a provocar uma subida rápida dos preços do petróleo e das expectativas de inflação.
