Análise de mercado. Petróleo, inflação e mercados em tensão

Henrique Valente

Analista da ActiveTrades Europe

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Esta semana, o foco dos investidores esteve na subida dos preços do petróleo e nas suas consequências para a inflação e para a atividade económica. O conflito no Médio Oriente voltou a escalar, com a continuação dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão, enquanto os houthis alargaram as ameaças à navegação no Mar Vermelho. A alteração das rotas de vários petroleiros e a forte redução do tráfego através do Estreito de Ormuz levaram o Brent da região dos 89 dólares, na segunda-feira, para perto dos 100 dólares por barril na quinta-feira.

O movimento voltou a colocar a inflação no centro das atenções. As yields das obrigações norte-americanas e europeias subiram, à medida que os investidores passaram a antecipar taxas de juro mais elevadas durante mais tempo.

Os principais índices bolsistas também recuaram, com o S&P 500 e o Nasdaq a anularem os ganhos registados no início da semana.

O setor tecnológico mostrou inicialmente alguma capacidade de recuperação, depois da forte correção das ações de semicondutores na semana anterior, mas voltou a ser penalizado pela subida dos custos energéticos, pelo fortalecimento do dólar e por novas dúvidas em torno das avaliações das empresas ligadas à Inteligência Artificial.

Os resultados da Alphabet reforçaram essas dúvidas sobre o custo da corrida à Inteligência Artificial. Apesar do forte crescimento do negócio de cloud, o novo aumento do investimento previsto penalizou as ações da empresa, mostrando que os investidores estão cada vez mais exigentes quanto ao retorno das elevadas despesas em infraestruturas e centros de dados.

Na Europa, o Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito nos 2,25%. Christine Lagarde reconheceu que o impacto total da subida dos preços da energia sobre a inflação ainda não se fez sentir e sublinhou que o BCE continuará atento à duração do choque e à sua possível transmissão aos restantes preços e aos salários. No entanto, evitou antecipar uma nova subida das taxas, reiterando que as decisões continuarão a depender dos dados e serão tomadas reunião a reunião.

O euro recuou ligeiramente durante a conferência de imprensa, sugerindo que os investidores esperavam uma mensagem mais firme sobre a possibilidade de uma nova subida das taxas em setembro.

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