Análise: mercados nervosos entre energia e tecnologia

Henrique Valente

Analista da ActiveTrades Europe

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Esta semana, os mercados financeiros foram dominados pela subida dos preços do petróleo, pela decisão da Reserva Federal (Fed) sobre as taxas de juro e pela forte correção das empresas ligadas à Inteligência Artificial.

No Médio Oriente, a retoma dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão voltou a aumentar os receios sobre o abastecimento global de energia. O tráfego através do Estreito de Ormuz manteve-se muito reduzido, enquanto novos ataques a navios e infraestruturas reforçaram o risco de uma interrupção mais prolongada das exportações. Neste contexto, o Brent voltou a negociar acima dos 90 dólares por barril, aumentando as preocupações com o impacto dos custos energéticos sobre a inflação e o crescimento. Ainda assim, uma subida sustentada acima dos 100 dólares deverá exigir uma perturbação mais profunda e duradoura da oferta.

Nos Estados Unidos, a Reserva Federal manteve as taxas de juro entre 3,50% e 3,75%, mas não afastou uma possível subida em setembro. Kevin Warsh, que chegou à presidência da Fed com uma postura firme contra a inflação, reconheceu, no entanto, que os choques energéticos e os problemas do lado da oferta não podem ser resolvidos apenas através da subida dos juros.

Apesar de as taxas terem permanecido inalteradas, as yields das Obrigações do Tesouro norte-americano a longo prazo subiram, refletindo a preocupação dos investidores com a evolução da inflação. O índice PCE, a principal referência da Fed, permanece acima do objetivo de 2% há mais de cinco anos e acelerou para 4,1% em maio, enquanto a inflação subjacente atingiu 3,4%.

A falta de indicações claras sobre os próximos passos da Fed, juntamente com a nova subida do petróleo, reforçou os receios de que a inflação permaneça elevada durante mais tempo. Este ambiente também penalizou as empresas tecnológicas, sobretudo as que apresentam valorizações mais elevadas e dependem de expectativas de crescimento a longo prazo.

As ações de semicondutores e de outras empresas ligadas à Inteligência Artificial prolongaram, assim, a correção. As dúvidas sobre a rentabilidade dos elevados investimentos no setor, os progressos chineses na produção de equipamento de litografia e o aumento da concorrência no mercado de chips reduziram ainda mais o apetite pelo risco. Depois de uma das piores semanas dos últimos meses para os semicondutores, o Nasdaq voltou a recuar.

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