Bolsas dependentes do boom da IA

Henrique Valente

Analista da ActivTrades Europe

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As bolsas americanas tiveram uma evolução irregular ao longo da semana, com as ações tecnológicas a demonstrarem maior resistência à subida das yields e à persistência dos riscos geopolíticos. O interesse dos investidores pelas empresas ligadas à inteligência artificial continuou a oferecer suporte ao Nasdaq, com os resultados da Micron, fabricante de chips de memória, a reforçarem as expectativas de uma procura robusta neste setor.

No entanto, este desempenho contrasta com um contexto menos favorável para a generalidade das bolsas, deixando os mercados cada vez mais dependentes do entusiasmo em torno da IA. Os dados da inflação PCE nos Estados Unidos trouxeram algum alívio, ao revelarem uma subida dos preços inferior ao esperado. Esta evolução reduziu a urgência de uma nova subida das taxas de juro pela Reserva Federal já em outubro, embora outro aumento até ao final do ano continue em cima da mesa. A força do consumo americano e os preços elevados do petróleo, sustentados pela incerteza em torno do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, continuam a alimentar os receios de pressões inflacionistas persistentes e a influenciar as expectativas para a política monetária.

Apesar do alívio proporcionado pela inflação, as yields das obrigações do Tesouro americano continuaram a subir, com a taxa a 10 anos a aproximar-se dos 5,30%. As necessidades de financiamento do Estado e a perspetiva de juros elevados por mais tempo mantêm a pressão sobre o mercado de dívida. Esta evolução aumenta os custos de financiamento das empresas e torna as obrigações mais competitivas face às ações, ao mesmo tempo que oferece suporte ao dólar e acrescenta pressão sobre o ouro. Para já, os resultados das empresas ligadas à inteligência artificial continuam a sustentar a confiança nas tecnológicas. Os próximos dados de inflação e emprego serão importantes para perceber se poderá surgir algum alívio nas condições de financiamento ou se as bolsas continuarão dependentes de um grupo cada vez mais restrito de empresas.

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