Como o "fantasma" dos juros voltou a travar os mercados
A bolsa americana iniciou a semana em alta, apoiada pela recuperação das empresas ligadas à inteligência artificial e pela descida dos preços do petróleo. O novo assistente de inteligência artificial da Meta renovou o entusiasmo dos investidores em torno do setor e contribuiu para uma valorização de 11,4% das ações da empresa na segunda-feira. Este otimismo estendeu-se aos semicondutores e impulsionou o Nasdaq, que avançou 2,26% na mesma sessão e fechou num máximo histórico, enquanto o S&P 500 ganhou 1,49%. No entanto, o sentimento deteriorou-se a meio da semana, após a divulgação de dados que apontaram para uma aceleração da atividade económica nos Estados Unidos. O PMI composto preliminar de setembro atingiu 58,4, o nível mais elevado desde julho de 2021. Estes números reforçaram as expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal, com a probabilidade implícita de uma nova subida dos juros em outubro a passar de 53% para 66% na quarta-feira.
Entretanto, os preços do petróleo voltaram a subir, num contexto de maior pessimismo relativamente à possibilidade de um avanço diplomático entre os Estados Unidos e o Irão. A recuperação do crude reavivou os receios de uma inflação persistente e aumentou a pressão sobre as bolsas. O dólar americano também beneficiou dos dados económicos fortes e das declarações de tom hawkish por parte de responsáveis da Fed. Na quinta-feira, a pressão sobre o mercado obrigacionista prolongou-se, com a yield dos títulos do Tesouro americano a dez anos a atingir cerca de 5,15% e o Brent a ultrapassar os 105 dólares por barril. As divergências em torno da reabertura do Estreito de Ormuz continuaram a dificultar um entendimento entre Washington e Teerão. A subida dos custos de financiamento estendeu-se a outras economias: no Japão, a yield a dez anos atingiu máximos de 30 anos, enquanto o diferencial entre os juros da dívida francesa e alemã aumentou para o nível mais elevado desde 2012. A evolução da inflação e das expectativas de juros voltou, assim, a ter um papel central nos mercados financeiros.
