E, agora, a obrigação de corrigir as contas nacionais

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E, de repente, passámos da casa dos 10 milhões da população para 11,4 milhões, mais um milhão do que em 2020, e certamente mais de 500.000 do que era geralmente considerado em recentes análises sociológicas e económicas.

Bastava, todavia, olhar para as paragens de autocarro, estações do metro e terminais de carreiras de longa distância, para os serviços de atendimento dos hospitais, hotelaria e comércio, para os motociclistas das entregas ao domicílio, ou estaleiros de construção civil, para verificar que a paisagem humana se ia modificando e, de tal modo, que nem a gradual habituação da vista já não disfarçava a enorme velocidade da mudança.

Responsável por erro tão chocante foi a insana política do Governo Socialista, que promoveu uma imigração sem controlo e obstou à contagem adequada de imigrantes. Mas também não o pressentiram a generalidade dos organismos oficiais e da “indústria” do tratamento de dados e das projeções macroeconómicas que analisam e nos informam da evolução do país. Nunca colocaram qualquer reserva à base populacional que apresentavam ou acolhiam para a apreciação das contas públicas, nomeadamente do crescimento do PIB per capita que, num clima de decréscimo da competitividade, apenas seria admissível no pressuposto de um PIB muito superior ao admitido ou de uma população virtual, inferior à efetivamente existente.

As perceções são normalmente o indicador avançado de uma realidade ainda não medida e, sendo tão nítidas, a prudência exigiria que os parâmetros tivessem sido objecto de cuidado exame.

Tal dissonância deveria levar essas instituições a suspeitar dos pressupostos populacionais que determinavam os cálculos e, à falta de dados firmes do INE, a encontrar nas diversas fontes existentes a informação dispersa que afeiçoasse à realidade os valores finais obtidos.

Face ao clamoroso erro, o Eurostat obrigou Portugal a reconstituir as contas nacionais de 2021 a 2026, e a corrigir a fantasiosa subida no ranking europeu. Lamentavelmente, o erro fez validar como boas muitas opções políticas erradas à partida e o PIB pc irá regredir alguns pontos percentuais da média europeia.

É bem lícito, pois, concluir que o Governo Socialista de António Costa fez um excelente uso do aforismo popular “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem…”.

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