Investimento com sinal mais, exportações com sinal menos...

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Os dados da evolução da economia portuguesa no 1.º trimestre do ano apontam, aparentemente, para dinâmicas divergentes: estagnação versus crescimento, dependendo da perspetiva de análise, já que, em cadeia, a variação do PIB foi nula, tendo desacelerado face ao trimestre precedente e, em termos homólogos, acelerou para 2,3%. Certo é que, em ambas as perspetivas, a variação do PIB foi sustentada pela força da procura interna, já que a procura externa líquida teve um contributo negativo.

Há um dado que merece especial destaque: o forte dinamismo do investimento. Em termos homólogos, a Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 9,5%, traduzindo uma aceleração muito significativa face aos 5,2% observados no 4.º trimestre do ano passado. Ainda mais relevante é a composição deste crescimento, com a rubrica “Outras máquinas e equipamentos” a registar um aumento de 27,4% e o investimento em “Equipamento de transporte” a crescer 13,3%. Estes números são particularmente importantes porque refletem decisões de modernização, de aumento de capacidade produtiva e de aposta na competitividade futura.

Também o consumo privado apresentou uma evolução positiva (+3% em termos homólogos), um sinal relevante para milhares de micro e pequenas empresas que dependem essencialmente da procura interna.

Mas se o investimento e o consumo constituem razões para encorajamento, a evolução do setor externo deve merecer uma atenção redobrada. É verdade que as exportações de bens e serviços recuperaram no 1.º trimestre, tendo crescido 1,7% após a contração registada no final de 2025. Contudo, esse crescimento revelou-se insuficiente para compensar a forte aceleração das importações (+5,5%). Como consequência, o contributo da procura externa líquida para o crescimento económico agravou-se.

Esta evolução não é alheia ao enquadramento internacional marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente, pelo aumento dos preços da energia, por perturbações nas cadeias logísticas globais e por uma desaceleração do comércio mundial, como bem identifica o mais recente Economic Outlook da OCDE.

No caso português, a própria OCDE assinala que as condições externas se deterioraram e que os exportadores nacionais enfrentam simultaneamente uma procura mais fraca nos principais mercados europeus. Por isso, apesar de prever uma recuperação gradual das exportações ao longo de 2027, a organização alerta para riscos significativos associados à evolução dos mercados energéticos e à conjuntura geopolítica.

As projeções da OCDE apontam para um abrandamento do crescimento da economia portuguesa para 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027. A procura interna continuará a desempenhar um papel importante, apoiada pelos fundos europeus e pelo mercado de trabalho. O investimento é condição necessária para aumentar a produtividade, acelerar a inovação e criar valor acrescentado. Mas, numa economia aberta, como a portuguesa, assegurar um crescimento robusto e sustentado exige às empresas capacidade de conquistar mercados internacionais, diversificar destinos de exportação e reforçar a sua presença nas cadeias globais de valor.

O desafio agora é criar condições para que possam continuar a investir, inovar e competir, e isso implica um quadro regulatório adequado, uma execução eficiente dos fundos europeus, uma aposta contínua na qualificação e requalificação dos recursos humanos e, transversalmente, uma política económica orientada para a competitividade.

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