Juros em pausa, mercados em alerta

Henrique Valente

Analista da ActivTrades Europe

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Esta semana, a Reserva Federal manteve as taxas de juro inalteradas entre 3,75% e 4,00%. Na conferência de imprensa, o presidente da Fed voltou a destacar a persistência da inflação e o compromisso de a fazer regressar ao objetivo de 2%, sublinhando a necessidade de mais dados antes de decidir os próximos passos da política monetária. Os investidores continuam a antecipar uma subida dos juros em dezembro, à qual atribuíam uma probabilidade de cerca de 80%, segundo os futuros da CME.

No Brasil, a reação às eleições presidenciais fez-se sentir nos mercados. O índice Ibovespa caiu 13,9% na segunda-feira, numa sessão com interrupção automática das negociações, após a reeleição de Lula da Silva contrariar as expectativas de parte dos investidores. O real também sofreu uma forte desvalorização, enquanto aumentaram as preocupações com a trajetória das contas públicas. A evolução dos ativos brasileiros dependerá agora dos sinais sobre a forma como o Governo pretende conciliar os compromissos eleitorais com a sustentabilidade orçamental.

Nos resultados empresariais, a Microsoft e a Alphabet trouxeram novos sinais sobre o investimento em inteligência artificial. O crescimento da cloud da Microsoft e a sua capacidade de gerar caixa foram bem recebidos pelos investidores. Já a Alphabet, apesar da forte expansão da cloud, desiludiu nas receitas publicitárias e registou um fluxo de caixa livre negativo, refletindo os elevados investimentos em infraestrutura. Os resultados mostram que a IA já contribui para o crescimento do negócio, mas também reforçam as dúvidas sobre o prazo necessário para recuperar os montantes investidos.

Na geopolítica, o conflito no Médio Oriente continuou a alimentar os receios de perturbações na oferta. O Brent negociava perto dos 114 dólares por barril na manhã de quinta-feira, apesar de um recuo associado à possibilidade de retoma das negociações entre os Estados Unidos e o Irão. A persistência de preços elevados da energia mantém a pressão sobre a inflação e os custos das empresas, dificultando o trabalho dos bancos centrais e condicionando as perspetivas de crescimento.