Mais emprego não chega para fazer crescer a economia…

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Os dados das Contas Nacionais do 2.º trimestre confirmaram a notícia positiva anteriormente avançada pela estimativa rápida: a economia portuguesa cresceu 2,5% em termos homólogos, ligeiramente acima dos 2,4% do trimestre anterior, e acelerou significativamente em cadeia, de 0,1% para 0,8%. São sinais de resiliência que importa valorizar, num contexto internacional muito incerto.

Também as exportações dão motivos para algum otimismo, com as vendas ao exterior a aceleraram quer nos bens, quer nos serviços. Ainda assim, em ambos os casos, as importações cresceram a um ritmo superior, mantendo negativo o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB.

É, contudo, na composição do crescimento que devemos concentrar a atenção. A procura interna continua a dar o principal impulso à economia, mas o seu contributo diminuiu, refletindo sobretudo a desaceleração do investimento. O consumo privado mantém uma dinâmica robusta, crescendo 3,6%, mas não podemos esperar que, por si só, sustente durante muito tempo um crescimento económico sólido e convergente com os nossos parceiros europeus.

O investimento (formação bruta de capital fixo) é, por isso, a principal nota de atenção. Apesar de ter crescido 6,5% em termos homólogos, desacelerou de forma expressiva face aos 10,8% do 1.º trimestre e diminuiu 1,9% em cadeia. Mais importante do que o valor de um trimestre é perceber se estamos perante uma trajetória que limita o reforço da capacidade produtiva. E aqui os sinais são mistos, com o investimento em máquinas e equipamentos a continuar a crescer, mas a um ritmo muito inferior, enquanto o investimento em construção evolui de forma mais modesta. O aumento no equipamento de transporte é, por seu lado, influenciado em larga medida pela importação de aeronaves.

Precisamos, portanto, de olhar para o investimento não apenas na sua dimensão quantitativa, mas sobretudo na sua qualidade e capacidade de aumentar a produtividade e a competitividade da economia.

Esta questão torna-se crucial quando cruzamos os dados do PIB com os do emprego. Em termos homólogos, o emprego cresceu 2,2% em número de pessoas e em horas trabalhadas aumentou 3,0%. Significa que a produtividade por trabalhador aumentou apenas 0,3% e, quando medida por hora trabalhada, diminuiu 0,5%, um sinal que não devemos ignorar.

Portugal está a crescer também através de mais emprego e de mais horas trabalhadas, mas ainda não suficientemente através de uma maior capacidade de produzir valor por trabalhador e por hora. E uma economia não pode sustentar a melhoria dos salários e do bem-estar aumentando apenas o número de pessoas empregadas ou o tempo de trabalho.

A resposta passa, inevitavelmente, por mais investimento em máquinas e equipamentos, tecnologia, digitalização, inovação, investigação e desenvolvimento, eficiência energética e modernização dos processos produtivos. Também, por mais investimento nas pessoas, através da formação e da aquisição de competências que permitam acompanhar a transformação tecnológica e responder às novas necessidades das empresas.

A indústria acelerou o crescimento do valor acrescentado para 3,4%, acima da média global. É nesta capacidade de gerar maior valor acrescentado, incorporar conhecimento e tecnologia e competir nos mercados internacionais que devemos apostar.

Portugal precisa, portanto, de crescer mais, mas sobretudo de crescer melhor, com uma estrutura económica em que o investimento e as exportações tenham um peso crescente, em que a inovação e a qualificação reforcem a produtividade. É esse o caminho para uma economia mais forte, mais resiliente e com maior capacidade de convergência com a Europa.

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