Marcas embaixadoras
Nestes novos tempos, a Nation Brand do nosso país no mundo precisa de ser consolidada. Precisamos que as nossas marcas de referência sejam embaixadoras de um novo sentido de competência e de valor da nossa economia junto dos competitivos e exigentes mercados internacionais e que se crie um verdadeiro sentido estratégico à volta duma agenda que é de todos. A Agenda SK – Sharing Knowledge, que em breve celebra 2500 dias de existência, vai promover a nova Iniciativa Marcas Embaixadoras, que pretende ajudar a pôr o nosso mapa no circuito da competitividade internacional.
As análises que têm vindo a ser realizadas são claras na mensagem que deixam de que este é o tempo em que importa aumentar o valor percebido dos produtos e serviços exportados (fora e dentro do país), atrair cidadãos do mundo para virem estudar, trabalhar, viver e investir em Portugal, e também promover a transição de uma economia de produção para uma economia de marcas de valor acrescentado. Este é o tempo em que precisamos de dar voz às nossas marcas embaixadoras e reforçar o sentido de propósito da sua capacidade de criação de valor sustentado nesta nova economia da IA em que tudo passou a ser mais rápido e mais complexo.
A economia portuguesa está claramente confrontada com um desafio de crescimento efetivo e sustentado no futuro. Os números das últimas décadas não poderiam ser mais evidentes. A incapacidade de modernização do setor industrial e de nova abordagem, baseada na inovação e criatividade, de mercados globais, associada à manutenção do paradigma duma economia interna de serviços com um caráter reprodutivo limitado, criou a ilusão, no final da última década, dum crescimento artificial baseado num consumo conjuntural manifestamente incapaz de se projetar no futuro.
Importa por isso construir as novas bases para uma nova competitividade estratégica centrada numa Nation Brand com sentido estratégico para a nossa sociedade.
Portugal precisa efetivamente de potenciar a sua Nation Brand, com todas as consequências do ponto de vista de impacto na sua matriz económica e social. A política pública tem de ser clara – há que definir prioridades do ponto de investimento estrutural nos setores e nos territórios, sob pena de não se conseguirem resultados objetivos.
Estamos no tempo dessa oportunidade. Definição clara das áreas estratégicas em que devemos apostar (terão de ser poucas e com impacto claro na economia); seleção, segundo critérios de racionalidade estratégica, das zonas territoriais onde se vai atuar e efetiva mobilização de redes ativas de consolidação estratégica das competências existentes para captação de investimento e reforço das cadeias de valor globais.
Uma nova economia, capaz de garantir uma economia nova sustentável, terá de se basear numa lógica de focalização em prioridades claras. Assegurar que o investimento de inovação é vital na atração de competências que induzam uma renovação ativa estrutural do tecido económico nacional; mobilizar de forma efetiva os centros de competência para esta abordagem ativa no mercado global – mas fazê-lo tendo em atenção critérios de racionalidade estratégica definidos à partida, segundo opções globais de política pública, que tenham em devida atenção a necessidade de manter níveis coerentes de coesão social e territorial.
As Marcas Embaixadoras deverão ser a síntese desta agenda de confiança e de ambição.
