O dinheiro não é tudo!
“You pay peanuts, you get monkeys” é uma expressão coloquial para sublinhar a ideia de que quem se propõe pagar pouco não pode esperar atrair talento. Salários baixos tanto desencorajam pessoas mais qualificadas de se candidatarem, como pode estimular os mais experientes a saírem. Poupa-se, no imediato, nos custos salariais, mas o aumento da rotação implica outros custos (de recrutamento, de formação inicial, de integração) e, sobretudo, pode afetar a moral da força de trabalho (as pessoas não se sentem valorizadas ou sentem-se exploradas) o que se refletirá na produtividade.
Em comparações internacionais as empresas portuguesas saem mal na gestão de pessoas, desde o recrutamento aos sistemas de incentivos, passando pelas políticas de formação e promoção. A situação na Administração Pública não será muito diferente, porventura, para pior. Paulo Macedo, que sabe do que fala, veio um destes dias defender uma revalorização dos salários dos quadros de topo da Função Pública e a flexibilização dos sistemas de incentivos e de progressão.
Se é certo que os salários serão, talvez, o principal determinante da escolha inicial, há outros fatores que pesam. A capacidade de atrair competência, motivar ou garantir lealdade dependem da forma como as pessoas são consideradas por quem gere e estabelece as políticas da organização. A literatura sobre o assunto fala na reputação da empresa, da cultura do local de trabalho, do papel da liderança, da clareza e consequência das expectativas criadas em termos de formação e promoção e do reconhecimento do desempenho. O empenhamento dos trabalhadores está associado a uma combinação equilibrada e justa entre o que se lhes paga, as condições de trabalho e o respeito pelas pessoas e pelo que fazem.
O dinheiro não é tudo. Pagar melhor ajuda, mas quiçá seja o mais fácil para se conseguir alcançar uma boa gestão das pessoas e um bom desempenho da organização. Criar um ambiente de trabalho que torne a excelência um objetivo possível é fulcral. E difícil. Começar por selecionar os dirigentes pelos laços familiares ou cor partidária e esperar bons resultados, é jogar no Euromilhões.
P.S. – Pelo menos por algum tempo, este será o meu último artigo regular no Dinheiro Vivo. Agradeço aos jornalistas que me aturaram e aos leitores que me apoiaram ou criticaram. Vemo-nos por aí!
