O exemplo da ANJE

Francisco Jaime Quesado

Economista e Gestor. Presidente da APM - Associação Portuguesa de Management

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Quando há 40 anos, em Julho de 1986, no Porto, um conjunto de jovens empresários liderados pelo Paulo Barros Vale e pelo saudoso Paulo Nunes de Almeida, decidiu lançar uma nova associação centrada na dinamização de uma agenda empreendedora e de inovação, estava-se a dar um sinal claro do caminho que a economia portuguesa tinha que seguir. Portugal acabara de aderir anos antes à União Europeia e a dinâmica governativa de Cavaco Silva projetava o país para novos horizontes.

A criação da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários – foi um momento marcante de um tempo especial em que o sentido da ambição e confiança eram a marca de uma geração que acreditava no futuro. À data, era estudante na Faculdade de Economia do Porto e, como dirigente associativo na FEP, tive o gosto de sinalizar um protocolo de cooperação com a então constituída ANJE, reforçando a importância da mensagem de valor que esta nova associação trazia para a nossa economia e sociedade.

Dali para a frente foi um percurso único – como a muitos tive o gosto de dar também o meu contributo –, com inúmeros projetos desenvolvidos dentro e fora do país, a construção de uma rede alargada de implantação no terreno e o desenvolvimento de uma cultura de aposta na criação de valor a partir de uma agenda empreendedora.

A ANJE – mantendo sempre a sede no Porto e com uma presença forte ao longo do país – cativou muitos jovens que, a partir da universidade e com o seu sentido de ambição, apostaram no desenvolvimento de novas ideias e negócios.

Desde o mítico Portugal Fashion – com um papel relevante na promoção do setor têxtil e na Marca Portugal – até à inovadora Academia dos Empreendedores – idealizada pelo saudoso Diogo Vasconcelos que morreu há 15 anos –, a ANJE protagonizou um percurso único de renovação da mentalidade empresarial no nosso país e de contributo inestimável para o reforço da ligação entre o mundo do conhecimento e da competitividade. O sucesso da agenda empreendedora no nosso país – protagonizado hoje por muitos players como a Start-Up Portugal – deve muito ao arrojo e à iniciativa de todos os que deram corpo ao projeto ANJE.

Quarenta anos depois o mundo e o nosso país estão muito diferentes. Estamos melhores em algumas áreas, piores noutras. A ANJE também, ao longo deste tempo, foi desenvolvendo o seu percurso, adaptando a sua intervenção aos novos tempos, sem nunca perder a sua imagem de marca de associação promotora de uma cultura de inovação e de aposta na agenda empreendedora.

Num tempo em que importa saber defender a memória do passado e o legado dos projetos que contam, a ANJE está de parabéns e todos os que a tornaram possível ao longo destes 40 anos.

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