Que o medo não nos trave

Margarida Vaqueiro Lopes

Subdiretora do Diário de Notícias e diretora executiva do Dinheiro Vivo

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Que vivemos tempos de incerteza já sabemos, e até já escrevemos no Dinheiro Vivo sobre como esta se tornou o novo normal para vários agentes da política e do mercado – aliás, todas as perspetivas económicas para 2026 eram baseadas num cenário de incerteza, que só pecou por defeito. Isto porque ninguém esperou que Donald Trump decidisse atacar o Irão, no início do ano, e complicasse ainda mais uma equação que já não se previa de fácil solução.

Ainda assim, o mundo continuou a girar como, aliás, tem feito durante todos os conflitos que, de uma forma ou outra, já habitaram esta Terra onde vivemos. E é precisamente nessa certeza e com essa convicção que devem ser encarados os próximos tempos e os solavancos do caminho, como lhes chamou Nuno Amado, chairman do BCP, durante a Money Conference, a iniciativa anual do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo, que reuniu ontem, em Cascais, os principais agentes do setor financeiro.

Otimismo e coragem foram, aliás, as mensagens unânimes de todos os intervenientes, num dia que teve mais de uma dezena de painéis, entre mesas-redondas, conversas avulsas e keynote speakers a convidar a audiência a refletir sobre os tempos que vivemos, mas também sobre aqueles que vamos enfrentar.

O mundo, numa rápida e constante evolução, convoca Portugal a aproveitar a onda de transformação a que todos – desde os governantes à sociedade civil, passando naturalmente pelas empresas – estamos convidados. Sob pena, lembraram, de ficarmos para trás.

Quando líderes de setores tidos como conservadores, como a banca e seguros, nos impelem a não ter medo e a abraçar a mudança, é estranho, além de absolutamente inútil, que continuemos a resistir quando olhamos para um cenário mais macro.

A banca, aliás, tem sido dos setores mais interessantes de analisar nos últimos anos: alterações profundas de regulação, inovação tecnológica, cibersegurança, alteração de perfis de consumo, digitalização, fintech a aparecer…, as variáveis foram-se reproduzindo e o setor foi obrigado a dançar rapidamente ao som de uma música, cujo ritmo continuou a acelerar. Apesar disso, e das alterações profundas que se sentiram em Portugal – com o desaparecimento de instituições históricas e a entrada de várias outras –, mantêm-se como uma espécie de bastião da constância, com mais ou menos soluços.

Num dia em que se refletiu sobre o muito que se fez e o tanto que Portugal ainda pode fazer, não faltaram ideias, nem desafios concretos. Resta agora saber se conseguimos, mais uma vez, passar das palavras à ação, e olhar para o futuro com aquilo que todos os oradores pediram: com o realismo de que os tempos exigem cautela, mas a confiança de que também isto passará. E de que não há melhor altura para preparar o futuro do que o presente, sem medo que nos tolde a ambição.

O Dinheiro Vivo desta semana é, precisamente, dedicado a estas reflexões e convido-o também, caro leitor, a ver ou rever toda a conferência e cobertura editorial nos sites do Diário de Notícias e do DV.

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